SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2023
Karina, 29 anos, comparece para a primeira consulta de pré-natal na equipe, muito assustada. Conta que sua gravidez não foi planejada e tem receio de complicações devido a seu quadro de epilepsia, com uso de medicamento controlado. Você investiga que a paciente tem 9 semanas de amenorreia, faz uso diário regular de ácido valpróico e fenobarbital e teve sua última crise (tônico clônica generalizada) há 3 anos. Nega outras comorbidades ou medicamentos contínuos. Assinale a alternativa mais correta sobre a avaliação e o manejo do caso:
Epilepsia na gestação: evitar ácido valpróico/fenobarbital; preferir monoterapia com lamotrigina/levetiracetam.
O ácido valpróico e o fenobarbital são antiepilépticos com alto risco teratogênico, especialmente para defeitos de fechamento do tubo neural e outras malformações. Em mulheres com epilepsia em idade fértil, o ideal é o planejamento pré-concepcional para otimizar a medicação, preferindo monoterapia com drogas de menor risco como lamotrigina ou levetiracetam, e suplementação de ácido fólico em dose mais alta.
O manejo da epilepsia na gravidez é um desafio complexo que exige um equilíbrio entre o controle das crises maternas e a minimização dos riscos fetais associados aos medicamentos antiepilépticos (MAE). A gravidez não necessariamente reduz a frequência de crises; na verdade, pode haver um aumento em algumas pacientes devido a alterações hormonais, metabólicas e na adesão medicamentosa. O planejamento pré-concepcional é fundamental, permitindo a reavaliação da terapia antiepiléptica antes da concepção. Medicamentos como o ácido valpróico e o fenobarbital são conhecidos por seu alto potencial teratogênico, associados a um risco aumentado de defeitos de fechamento do tubo neural, malformações cardíacas e outras anomalias congênitas. Por isso, a substituição por MAEs de menor risco, como lamotrigina ou levetiracetam, idealmente em monoterapia e na menor dose eficaz, é a conduta preferencial. A politerapia, por sua vez, aumenta substancialmente o risco de malformações e deve ser evitada sempre que possível. Além da otimização da medicação, a suplementação de ácido fólico é crucial. Para mulheres com epilepsia em uso de MAEs, a dose recomendada é de 4-5 mg/dia, iniciada pelo menos três meses antes da concepção e mantida durante o primeiro trimestre, para reduzir o risco de defeitos de fechamento do tubo neural. O acompanhamento multidisciplinar é essencial para garantir a segurança da mãe e do feto ao longo de toda a gestação.
Lamotrigina e levetiracetam são geralmente considerados os antiepilépticos com menor risco teratogênico e são preferidos para uso durante a gravidez, idealmente em monoterapia e na menor dose eficaz.
Gestantes com epilepsia, especialmente aquelas em uso de antiepilépticos, têm um risco aumentado de defeitos de fechamento do tubo neural. Recomenda-se uma dose mais alta de ácido fólico (4-5 mg/dia) iniciada antes da concepção e mantida durante o primeiro trimestre.
A politerapia com antiepilépticos está associada a um risco significativamente maior de malformações congênitas em comparação com a monoterapia. O objetivo é controlar as crises com o menor número de medicamentos e na menor dose eficaz.
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