SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2026
Paciente de 32 anos, previamente hígido, apresenta crises recorrentes caracterizadas por perda súbita de consciência, rigidez tônica generalizada seguida de movimentos clônicos difusos, liberação esfincteriana e confusão pós-ictal de 20 minutos. Tomografia de crânio sem alterações. EEG mostra descargas epileptiformes generalizadas. Considerando a hipótese diagnóstica e a necessidade de terapia crônica, qual é a melhor escolha farmacológica inicial para o paciente?
Crise generalizada + EEG com descargas generalizadas → Valproato é a 1ª escolha (exceto mulheres férteis).
O valproato de sódio é o fármaco de primeira linha para epilepsias generalizadas idiopáticas devido ao seu amplo espectro de ação, agindo em canais de sódio, cálcio e no sistema GABAérgico.
A epilepsia generalizada tônico-clônica é caracterizada por perda súbita de consciência e atividade motora bilateral simétrica. O diagnóstico é reforçado por achados de EEG mostrando complexos ponta-onda generalizados. O manejo farmacológico inicial deve priorizar drogas de amplo espectro. O valproato de sódio permanece como o padrão-ouro de eficácia para este perfil de paciente (homem, jovem, hígido). A escolha terapêutica deve considerar não apenas a eficácia no controle das crises, mas também o perfil de efeitos colaterais e o impacto na qualidade de vida a longo prazo, visto que o tratamento da epilepsia costuma ser crônico.
O valproato de sódio possui um mecanismo de ação múltiplo, bloqueando canais de sódio voltagem-dependentes, canais de cálcio do tipo T e aumentando a disponibilidade de GABA. Essa característica o torna eficaz tanto em crises tônico-clônicas quanto em ausências e crises mioclônicas, que frequentemente coexistem em síndromes de epilepsia generalizada idiopática. Diferente de drogas de espectro estreito como a carbamazepina, o valproato não agrava outros tipos de crises generalizadas.
A principal restrição ao uso do valproato ocorre em mulheres em idade fértil, devido ao seu elevado potencial teratogênico (risco de malformações do tubo neural e prejuízo cognitivo fetal). Nesses casos, a lamotrigina ou o levetiracetam são frequentemente considerados como alternativas de primeira linha, apesar de o valproato ser tecnicamente mais eficaz no controle das crises generalizadas.
Crises focais originam-se em redes limitadas a um hemisfério e respondem bem a drogas de espectro estreito (carbamazepina, oxcarbazepina, fenitoína). Já as crises generalizadas envolvem redes bilaterais desde o início. O uso de drogas para crises focais em pacientes com epilepsia generalizada pode ser ineficaz ou até prejudicial, tornando o diagnóstico sindrômico via EEG e história clínica essencial antes da prescrição.
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