HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2025
Menina de 7 anos de idade vem a consulta trazida por seus pais que estão muito preocupados com o estado neurológico desta criança. Tudo iniciou há alguns meses atrás quando a professora da escola solicitou uma reunião com os pais para tratar das dificuldades escolares da paciente que no momento cursa o segundo ano do ensino regular de uma escola particular. A paciente que no início do ano parecia bem, acompanhando as atividades da escola, no momento apresenta-se dispersa, desatenta, com dificuldades de acompanhar a turma, dificuldades em realizar cópias e por muitas vezes a professora acredita que a menina não a escuta quando ela a chama. Não há histórico pregresso significativo e nem histórico de doenças familiares. Menina é filha única de pais saudáveis e nasceu de parto cesáreo, a termo, e sem intercorrências. Os pais há algumas semanas começaram a notar que a paciente tem alguns episódios quando está em casa de parada comportamental que duram segundos, como se estivesse desatenta e que precisam chama-la várias vezes até que ela responda. A paciente não se recorda desses episódios. O exame pediátrico e neurológico da paciente não revelaram nenhuma alteração exceto por uma manobra que foi realizada durante a consulta e que pode esclarecer a etiologia do problemaBaseado na história clínica da paciente marque a alternativa correta com relação a qual manobra foi realizada, qual o diagnóstico provável da paciente e qual o tratamento de primeira linha utilizado:
Criança com "desatenção" e "paradas" breves, sem recordação → hiperventilação pode precipitar crise de ausência. Tratamento: Valproato ou Etossuximida.
A descrição da paciente é clássica de crises de ausência, caracterizadas por breves interrupções da consciência, sem queda, e amnésia do evento. A hiperventilação é uma manobra que pode precipitar essas crises e ser utilizada no diagnóstico. O tratamento de primeira linha inclui valproato de sódio ou etossuximida.
A Epilepsia de Ausência Infantil (EAI) é uma síndrome epiléptica idiopática generalizada comum na infância, com início típico entre 4 e 10 anos de idade. Caracteriza-se por crises de ausência diárias, breves (5-10 segundos), com início e término abruptos, que podem ser confundidas com desatenção ou devaneios. A prevalência é de cerca de 10-17% das epilepsias na infância, sendo mais comum em meninas. O reconhecimento precoce é fundamental para evitar prejuízos acadêmicos e sociais. O diagnóstico da EAI é primariamente clínico, baseado na descrição dos episódios. O eletroencefalograma (EEG) é crucial, revelando descargas generalizadas de espícula-onda de 3 Hz, que são patognomônicas. A manobra de hiperventilação é um potente ativador dessas descargas, sendo frequentemente utilizada durante o EEG para confirmar o diagnóstico. A paciente do caso apresenta sintomas clássicos: dificuldades escolares, desatenção e episódios de 'parada comportamental' com amnésia, que são precipitados pela hiperventilação. O tratamento de primeira linha para a Epilepsia de Ausência Infantil inclui o valproato de sódio e a etossuximida. A etossuximida é frequentemente preferida devido ao seu perfil de efeitos colaterais mais favorável para crises de ausência isoladas, enquanto o valproato de sódio é uma opção eficaz, especialmente se houver suspeita de outros tipos de crises generalizadas. O prognóstico é geralmente bom, com a maioria das crianças atingindo remissão na adolescência, mas o acompanhamento regular é essencial.
As crises de ausência são caracterizadas por episódios súbitos e breves (segundos) de interrupção da atividade, olhar fixo, piscar de olhos ou movimentos automáticos leves. A criança não responde e não se recorda do episódio, parecendo 'desligada'.
A hiperventilação provoca alcalose respiratória e vasoconstrição cerebral, que podem precipitar as descargas epileptiformes generalizadas de 3 Hz no eletroencefalograma (EEG), típicas das crises de ausência, auxiliando no diagnóstico.
A Epilepsia de Ausência Infantil cursa com crises de ausência e EEG com descargas generalizadas. A Síndrome de Landau-Kleffner é uma afasia epiléptica adquirida, caracterizada por perda da compreensão e expressão da linguagem, associada a atividade epileptiforme no EEG, geralmente sem crises motoras evidentes.
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