Epilepsia Ausência na Infância: Diagnóstico e EEG

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020

Enunciado

Criança de 6 anos de idade, sexo feminino, é levada pela mãe ao pediatra para avaliação de comportamento estranho que vem apresentando há alguns dias. Previamente hígida, na escola foi chamado atenção que a criança estava desatenta nas aulas. Mãe começou a perceber que a criança estava apresentando crises abruptas que duravam em média de 15 segundos, várias vezes ao dia onde ela apresentava olhar fixo, era chamada e não respondia, deixava objetos que estavam na mão cair do chão, apresentando comprometimento da consciência com interrupção da atividade que estava fazendo no momento. Tem história familiar de convulsão. O EEG mostrou descargas de espícula, onda lenta de projeção difusa, bilateral que não se fragmentam e se acentuam durante a hiperventilação da criança. Diante do quadro clínico exposto, qual o possível diagnóstico da criança?

Alternativas

  1. A) Epilepsia de Panayiotopoulos.
  2. B) Epilepsia ausência na infância.
  3. C) Epilepsia mioclônica da infância.
  4. D) Epilepsia com pontas centrotemporais.

Pérola Clínica

Crises de ausência típicas: <10 anos, olhar fixo, interrupção atividade, EEG espícula-onda lenta 3 Hz acentuada por hiperventilação.

Resumo-Chave

A epilepsia ausência na infância é caracterizada por crises breves de comprometimento da consciência, sem perda do tônus postural, que duram segundos e ocorrem várias vezes ao dia. O EEG é diagnóstico, mostrando descargas generalizadas de espícula-onda lenta de 3 Hz, que são classicamente provocadas pela hiperventilação.

Contexto Educacional

A epilepsia ausência na infância é uma síndrome epiléptica generalizada idiopática comum, com início típico entre 4 e 10 anos de idade. É caracterizada por crises de ausência típicas, que são episódios breves de comprometimento da consciência, sem aura ou confusão pós-crise, e que podem ocorrer dezenas a centenas de vezes ao dia, impactando o desempenho escolar da criança. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na descrição das crises, e confirmado pelo eletroencefalograma (EEG). O EEG típico mostra descargas generalizadas e síncronas de espícula-onda lenta de 3 Hz, que são classicamente provocadas pela hiperventilação, um achado patognomônico. É fundamental diferenciar as crises de ausência de outros tipos de crises epilépticas ou de desatenção. O tratamento de escolha para a epilepsia ausência na infância é a etosuximida, que é altamente eficaz no controle das crises. O valproato de sódio é uma alternativa, especialmente se houver outros tipos de crises generalizadas associadas. O prognóstico é geralmente bom, com a maioria das crianças atingindo a remissão na adolescência, embora uma pequena porcentagem possa desenvolver outras formas de epilepsia.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos das crises de ausência típicas em crianças?

As crises de ausência típicas são caracterizadas por episódios breves (5-15 segundos) de interrupção abrupta da atividade, olhar fixo, falta de resposta e comprometimento da consciência, sem perda do tônus postural.

Como o eletroencefalograma (EEG) auxilia no diagnóstico da epilepsia ausência?

O EEG é crucial, revelando descargas generalizadas e síncronas de espícula-onda lenta de 3 Hz, que são classicamente desencadeadas ou acentuadas pela hiperventilação.

Qual é o tratamento de primeira linha para a epilepsia ausência na infância?

O tratamento de primeira linha para a epilepsia ausência na infância geralmente envolve medicamentos como etosuximida ou valproato de sódio, com bom prognóstico na maioria dos casos.

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