Epiglotite Aguda Pediátrica: Diagnóstico e Conduta Imediata

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014

Enunciado

Uma criança do sexo masculino com dois anos de idade chega à Emergência apresentando febre alta, salivação profusa, voz abafada, desconforto respiratório, agitação e ansiedade. O quadro iniciou-se há cerca de 8 horas, com dificuldade para deglutir, que piorou muito na última hora. A criança nunca foi à Unidade Básica de Saúde para vacinação. Ao exame físico o médico observou temperatura axilar de 39,8°C, aparência toxêmica, corpo inclinado para frente, com hiperextensão do pescoço, protusão do queixo e posicionamento da língua para fora, fazendo a saliva escorrer pela boca, além de estridor inspiratório. A conduta neste momento é:

Alternativas

  1. A) Oxigenioterapia, intubação eletiva e ceftriaxona por via endovenosa.
  2. B) Radiografia lateral do pescoço, corticoide e cefotaxime por via endovenosa.
  3. C) Nebulização com adrenalina, laringoscopia e ampicilina por via endovenosa.
  4. D) Nebulização com beta adrenérgico, radiografia de tórax e amoxicilina por via oral.

Pérola Clínica

Febre alta + Sialorreia + Posição de Tripé = Epiglotite Aguda (Emergência!).

Resumo-Chave

A epiglotite é uma emergência médica grave com risco iminente de obstrução total da via aérea; o manejo prioritário é a estabilização da via aérea em ambiente controlado antes de qualquer exame.

Contexto Educacional

A epiglotite aguda é uma inflamação bacteriana da epiglote e tecidos adjacentes que pode levar à obstrução respiratória fatal em poucas horas. O quadro clínico clássico envolve início súbito de febre alta, dor de garganta intensa, sialorreia (pela incapacidade de deglutir) e estridor. O diagnóstico é clínico e a manipulação da cavidade oral é contraindicada fora de ambiente controlado. O tratamento envolve a manutenção da via aérea, geralmente através de intubação nasotraqueal ou orotraqueal, e o uso de antibióticos de amplo espectro, como cefalosporinas de terceira geração (Ceftriaxona ou Cefotaxima), para cobrir Hib e outros patógenos comuns. A prevenção é feita através da vacina conjugada contra o Hib, incluída no calendário vacinal básico.

Perguntas Frequentes

Qual o agente etiológico mais comum da epiglotite aguda?

Historicamente, o Haemophilus influenzae tipo b (Hib) era o principal agente. Com a vacinação em massa, a incidência caiu drasticamente, mas continua sendo a principal suspeita em crianças não vacinadas. Outros agentes incluem Streptococcus pyogenes e Staphylococcus aureus.

Por que a criança adota a posição de tripé?

A posição de tripé (corpo inclinado para frente, pescoço hiperextendido e queixo protuso) é uma manobra instintiva para maximizar o diâmetro da via aérea superior e facilitar a passagem do ar através da glote inflamada e obstruída.

Qual a conduta inicial na suspeita de epiglotite?

A prioridade absoluta é garantir a patência da via aérea. A criança deve ser mantida calma (evitar exames invasivos ou agitação) e levada ao centro cirúrgico para intubação orotraqueal por profissionais experientes, seguida de antibioticoterapia venosa.

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