Epiglotite Aguda: Diagnóstico e Conduta na Emergência

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Uma criança de 4 anos é trazida à emergência com história de febre alta (39,8 °C) de início súbito há cerca de 6 horas, associada a dor de garganta intensa e dificuldade progressiva para engolir. Ao exame físico, o paciente encontra-se em regular estado geral, extremamente ansioso, sentado em posição de tripé (corpo inclinado para frente, apoiado nas mãos e com o pescoço estendido). Observa-se sialorreia importante (saliva escorrendo pelo canto da boca), voz abafada e estridor inspiratório. A frequência respiratória é de 46 incursões por minuto, com tiragem supraesternal leve, e a saturação de oxigênio é de 92% em ar ambiente. Não há relato de tosse ladrante ou rouquidão prévia. Diante do quadro de insuficiência respiratória aguda e da principal hipótese diagnóstica, a conduta imediata mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Encaminhar o paciente ao setor de radiologia para a realização imediata de uma radiografia lateral do pescoço em busca do sinal do polegar.
  2. B) Realizar a visualização direta da orofaringe com auxílio de um abaixador de língua para confirmar o diagnóstico de edema de epiglote.
  3. C) Manter a criança calma no colo dos pais e providenciar a estabilização da via aérea em ambiente controlado com equipe experiente.
  4. D) Iniciar imediatamente a nebulização com adrenalina racêmica e administrar dexametasona por via intramuscular.

Pérola Clínica

Febre alta + Sialorreia + Posição de tripé = Epiglotite. NÃO examine a orofaringe; garanta a via aérea.

Resumo-Chave

A epiglotite é uma emergência médica com risco de obstrução total da via aérea. O manejo prioriza a estabilização respiratória imediata em ambiente cirúrgico/UTI, evitando agitação do paciente.

Contexto Educacional

A epiglotite aguda é uma inflamação bacteriana das estruturas supraglóticas que pode progredir rapidamente para a morte por asfixia. O quadro clínico clássico envolve os '4 Ds': Drooling (sialorreia), Dysphagia (disfagia), Dysphonia (voz abafada) e Dyspnea (dispneia). A prioridade absoluta é a manutenção da patência da via aérea. O transporte para o centro cirúrgico deve ser feito com a criança no colo dos pais para minimizar o estresse. A intubação orotraqueal ou nasotraqueal deve ser realizada por profissionais experientes, frequentemente com um tubo de calibre menor que o esperado para a idade devido ao edema. Antibioticoterapia venosa deve ser iniciada após a estabilização da via aérea.

Perguntas Frequentes

Por que não usar abaixador de língua na suspeita de epiglotite?

A manipulação da orofaringe em uma criança com epiglote inflamada e edemaciada pode desencadear um laringoespasmo reflexo súbito, levando à obstrução completa e fatal da via aérea. O diagnóstico deve ser clínico e a visualização só deve ocorrer em ambiente controlado (centro cirúrgico) durante a intubação.

Qual a diferença clínica entre Crupe e Epiglotite?

O Crupe (Laringotraqueobronquite) geralmente apresenta pródromos virais, tosse ladrante e rouquidão, com evolução mais lenta. A epiglotite tem início súbito, febre alta, ausência de tosse, sialorreia intensa e o paciente prefere a posição de tripé para respirar.

Qual o agente etiológico mais comum da epiglotite?

Historicamente, o Haemophilus influenzae tipo b (Hib) era o principal agente. Após a introdução da vacina, a incidência caiu drasticamente, mas ainda ocorre em crianças não vacinadas ou por outros patógenos como Streptococcus pyogenes e Staphylococcus aureus.

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