INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016
Um adolescente, com 14 anos de idade, é trazido à consulta médica em Unidade Básica de Saúde com queixa de dor de intensidade leve na virilha esquerda, iniciada há duas semanas, com piora progressiva. O paciente relata que a dor irradia pela face interna da coxa até o joelho, e que agora apresenta dificuldade para caminhar. Nega febre ou traumatismo local. O exame físico evidencia: peso = 68 kg, altura = 1,62 m. Não é evidenciado edema, calor ou rubor no local. Verifica-se limitação da mobilidade da articulação coxo-femural esquerda em decúbito dorsal. Nesse caso, a conduta indicada é:
Adolescente obeso + dor referida no joelho + limitação de rotação interna = Epifisiólise.
A epifisiólise é uma urgência ortopédica; o paciente deve ser mantido sem carga no membro e avaliado imediatamente por especialista para fixação cirúrgica.
A epifisiólise do fêmur proximal (ou escorregamento epifisário) ocorre quando a metáfise femoral se desloca anterior e superiormente em relação à epífise, que permanece no acetábulo. É a patologia do quadril mais comum na adolescência. A fisiopatologia envolve estresse mecânico sobre uma placa de crescimento enfraquecida por alterações hormonais da puberdade. O manejo inicial na atenção primária deve ser a suspensão imediata de carga (uso de muletas ou cadeira de rodas) e o encaminhamento para o ortopedista. O tratamento padrão-ouro é a fixação in situ com parafuso único para prevenir progressão. Exames de imagem como radiografias em incidência AP e Lauenstein (posição de rã) confirmam o diagnóstico através da linha de Klein.
O perfil clássico é o adolescente (10-16 anos), frequentemente do sexo masculino e com sobrepeso ou obesidade. Fatores endócrinos, como hipotireoidismo, também podem estar associados, especialmente em casos bilaterais ou fora da faixa etária habitual.
O diagnóstico baseia-se na dor na virilha ou joelho (referida), claudicação e limitação da mobilidade do quadril, especialmente a rotação interna. O sinal de Drehmann (rotação externa passiva obrigatória durante a flexão do quadril) é um achado físico patognomônico.
A epifisiólise é instável por natureza. O atraso no tratamento pode levar ao escorregamento adicional da epífise, resultando em deformidades graves, osteoartrose precoce e, mais criticamente, necrose avascular da cabeça femoral devido ao comprometimento vascular.
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