UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2024
Menina, 11a, é trazida ao Pronto-Socorro com queixa de dor em joelho direito há aproximadamente três meses, com aumento progressivo da intensidade da dor e claudicação há duas semanas. Nega febre, sinais inflamatórios ou trauma prévio. Relata que vai para escola e no restante do tempo fica no celular. Antecedentes pessoais: hipotireoidismo em tratamento. Sem antecedentes familiares relevantes. Há uma semana realizou radiograma de joelhos, que estava normal. Exame físico: IMC=35Kg/m²; membros inferiores: assume atitude de rotação externa do membro inferior direito com limitação da rotação interna do quadril correspondente. Radiograma de quadril. A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA PRINCIPAL É:
Adolescente obeso + dor joelho/quadril + hipotireoidismo + rotação externa MI + limitação rotação interna quadril → Epifisiólise da Cabeça do Fêmur.
A Epifisiólise da Cabeça do Fêmur (ECF) é uma condição ortopédica comum em adolescentes, especialmente obesos e com distúrbios endócrinos como hipotireoidismo. A dor no joelho é uma apresentação clássica de dor referida do quadril, e o exame físico revela rotação externa do membro inferior e limitação da rotação interna do quadril (sinal de Drehmann). Radiografias do quadril (AP e perfil de Lowenstein) são essenciais para o diagnóstico, mesmo que a radiografia do joelho seja normal.
A Epifisiólise da Cabeça do Fêmur (ECF), também conhecida como Slipped Capital Femoral Epiphysis (SCFE), é uma das causas mais comuns de dor no quadril em adolescentes e uma emergência ortopédica. Caracteriza-se pelo deslizamento da epífise femoral proximal em relação ao colo do fêmur através da placa de crescimento. A condição é de grande importância clínica devido ao risco de complicações graves, como osteonecrose da cabeça femoral e condrólise, que podem levar a sequelas permanentes se não diagnosticada e tratada precocemente. A fisiopatologia da ECF envolve uma combinação de fatores mecânicos e endócrinos. Durante o estirão de crescimento puberal, a placa de crescimento femoral proximal torna-se mais fraca e suscetível ao cisalhamento, especialmente em adolescentes com obesidade, que impõe maior estresse mecânico. Distúrbios endócrinos, como hipotireoidismo e deficiência de hormônio do crescimento, também contribuem para a fraqueza da placa. O diagnóstico é frequentemente atrasado devido à dor referida no joelho, o que leva a exames iniciais focados na articulação errada. O exame físico revela limitação da rotação interna e abdução do quadril, e o sinal de Drehmann (rotação externa e abdução passiva do quadril durante a flexão) é patognomônico. Radiografias do quadril (AP e perfil de Lowenstein) são essenciais para confirmar o diagnóstico. O tratamento da ECF é cirúrgico e visa estabilizar a epífise para prevenir maior deslizamento e complicações. A fixação in situ com parafusos é a técnica mais comum. O prognóstico depende da gravidade do deslizamento no momento do diagnóstico e da ocorrência de complicações. É crucial que os residentes estejam cientes da ECF como um diagnóstico diferencial para dor no joelho ou claudicação em adolescentes, especialmente aqueles com fatores de risco, para garantir um diagnóstico e tratamento oportunos e minimizar as sequelas a longo prazo.
Os sintomas clássicos da ECF incluem dor na região do quadril, coxa ou joelho (dor referida), claudicação (manqueira) e limitação da mobilidade do quadril. No exame físico, é comum observar rotação externa do membro inferior afetado e limitação da rotação interna do quadril, especialmente durante a flexão (sinal de Drehmann).
Os principais fatores de risco para ECF são a obesidade, a idade (geralmente entre 10 e 16 anos), o sexo masculino (embora ocorra em meninas) e distúrbios endócrinos, como hipotireoidismo, deficiência de hormônio do crescimento e hipogonadismo. O crescimento rápido durante a puberdade também contribui.
A dor no joelho é uma apresentação comum da ECF devido à dor referida do quadril. Uma radiografia de joelho normal não exclui a ECF. É mandatório realizar radiografias do quadril (incidências anteroposterior e perfil de Lowenstein ou rã) para visualizar o deslizamento da epífise femoral, que é o achado diagnóstico característico.
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