Epididimite Aguda: Diagnóstico e Manejo no Pronto Atendimento

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem, 21 anos, vem a um serviço de pronto atendimento com queixa de dor no testículo direito, de início insidioso, com progressão há um dia, associada à disúria. Exame físico: hiperemia da bolsa escrotal, dor á palpação do testículo e endurecimento do epidídimo. Sinal de Prehn positivo. Qual a melhor conduta no pronto atendimento?

Alternativas

  1. A) Analgesia, colher urina I, urocultura e encaminhar paciente para serviço especializado de urologia.
  2. B) Encaminhar paciente para realizar ultrassonografia com Doppler e avaliar do fluxo sanguíneo testicular
  3. C) Analgesia e encaminhar paciente para exploração cirúrgica de emergência
  4. D) Tratamento clínico com anti-inflamatório, antibioticoterapia empírica e reavaliação entre 7 e 10 dias.

Pérola Clínica

Dor testicular insidiosa + disúria + Prehn (+) → Epididimite. Tratar com ATB empírico.

Resumo-Chave

A epididimite é uma inflamação do epidídimo, geralmente causada por infecção bacteriana, manifestando-se com dor testicular de início insidioso, disúria e, classicamente, sinal de Prehn positivo (alívio da dor com elevação testicular). O tratamento inicial é clínico com analgesia e antibioticoterapia empírica, enquanto a torção testicular, uma emergência cirúrgica, apresenta dor súbita e Prehn negativo.

Contexto Educacional

A dor testicular aguda é uma queixa comum no pronto atendimento e exige uma avaliação cuidadosa para diferenciar condições que requerem intervenção cirúrgica imediata, como a torção testicular, daquelas que podem ser tratadas clinicamente, como a epididimite. A epididimite é uma inflamação do epidídimo, geralmente de origem infecciosa, que afeta principalmente homens jovens (ISTs) e mais velhos (infecções urinárias). Clinicamente, a epididimite manifesta-se com dor testicular de início insidioso, que pode irradiar para a virilha, associada a disúria, febre baixa e hiperemia/edema escrotal. O exame físico revela dor à palpação do epidídimo e, classicamente, o sinal de Prehn positivo (alívio da dor com a elevação do testículo). A ultrassonografia com Doppler pode confirmar o diagnóstico, mostrando aumento do fluxo sanguíneo no epidídimo. A conduta inicial para epididimite é o tratamento clínico, que inclui analgesia, repouso, elevação escrotal e antibioticoterapia empírica direcionada aos patógenos mais prováveis (ISTs em jovens, enterobactérias em mais velhos). É crucial diferenciar da torção testicular, que apresenta dor súbita, Prehn negativo e requer exploração cirúrgica de emergência para preservar a viabilidade testicular.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do sinal de Prehn no diagnóstico diferencial da dor testicular?

O sinal de Prehn é a melhora da dor testicular com a elevação do testículo. É classicamente positivo na epididimite e negativo na torção testicular, ajudando a diferenciar essas duas condições, embora não seja 100% sensível ou específico.

Qual a antibioticoterapia empírica recomendada para epididimite em homens jovens?

Em homens < 35 anos, a epididimite é frequentemente associada a infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). O tratamento empírico inclui ceftriaxona (IM) + doxiciclina (VO) para cobrir Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis.

Quando a ultrassonografia com Doppler testicular é indicada na dor escrotal aguda?

A ultrassonografia com Doppler é indicada quando há incerteza diagnóstica entre epididimite e torção testicular, ou para avaliar a extensão da inflamação/isquemia. Na torção, mostra ausência ou diminuição do fluxo sanguíneo; na epididimite, mostra aumento do fluxo.

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