Epidemiologia do Sarampo: Grupos de Risco e Incidência

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2020

Enunciado

“No período de 22/09/2019 a 14/12/2019 (SE 39-50), foram notificados 19.090 casos suspeitos de sarampo, destes, 2.710 (14,2%) foram confirmados, 11.056 (57,9%) estão em investigação e 5.324 (27,9%) foram descartados. Os casos confirmados nesse período representam 17% do total de casos confirmados no ano de 2019”. Sobre os dados apresentados na Tabela 1, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) o grupo de 20 a 29 anos apresentou o maior risco de adoecer por sarampo.
  2. B) o grupo de menores de um ano de idade apresentou maior risco de adoecer por sarampo.
  3. C) o grupo de 20 a 29 anos apresentou aproximadamente o dobro do risco de adoecer por sarampo em relação ao grupo de 15 a 19 anos.
  4. D) indivíduos do sexo masculino apresentaram maior risco de adoecer por sarampo;
  5. E) o risco de adoecer por sarampo entre menores de um ano foi semelhante ao risco apresentado pelo grupo de 15 a 19 anos.

Pérola Clínica

Em surtos de sarampo, menores de 1 ano apresentam maior risco (incidência) devido à falta de vacinação completa.

Resumo-Chave

O risco de adoecer (incidência) é calculado pela razão entre casos novos e a população exposta. Lactentes são o grupo de maior vulnerabilidade biológica e epidemiológica.

Contexto Educacional

O sarampo é uma doença exantemática viral aguda, altamente contagiosa, transmitida por aerossóis. No Brasil, após um período de eliminação, o vírus voltou a circular, gerando surtos importantes a partir de 2018. A análise de dados epidemiológicos é crucial para direcionar campanhas de vacinação. O enunciado destaca que, embora o número absoluto de casos possa ser expressivo em adultos jovens (20-29 anos), o risco individual (incidência) é estatisticamente superior na faixa etária abaixo de um ano, que carece de proteção vacinal definitiva e possui maior taxa de complicações e hospitalizações.

Perguntas Frequentes

Por que menores de um ano são o grupo de maior risco?

Lactentes menores de um ano apresentam maior risco de contrair sarampo devido à imaturidade do sistema imunológico e, principalmente, porque a primeira dose da vacina tríplice viral é rotineiramente administrada apenas aos 12 meses. Embora recebam anticorpos transplacentários maternos, esses níveis declinam rapidamente nos primeiros meses de vida, deixando-os suscetíveis antes de completarem o esquema vacinal primário. Em situações de surto, a 'dose zero' é recomendada a partir dos 6 meses para tentar mitigar esse risco.

Como se calcula o risco de adoecer em epidemiologia?

O risco de adoecer é tecnicamente expresso pelo Coeficiente de Incidência. Ele é calculado dividindo-se o número de casos novos confirmados em uma determinada população e período pelo número total de pessoas expostas ao risco naquela mesma população e período, multiplicando-se por uma base de 10 (ex: por 100.000 habitantes). Isso permite comparar o impacto da doença entre diferentes faixas etárias, independentemente do tamanho absoluto de cada grupo populacional.

Qual a importância da notificação de casos suspeitos?

O sarampo é uma doença de notificação compulsória imediata (em até 24 horas). A notificação de casos suspeitos permite o desencadeamento de ações de bloqueio vacinal oportuno (em até 72 horas nos contatos) e a investigação epidemiológica para identificar a fonte de infecção e impedir a cadeia de transmissão sustentada. A alta taxa de casos em investigação reflete a sensibilidade do sistema de vigilância durante um surto.

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