UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2018
Texto 1 - Grande SP registra 2 mortes por febre amarela em 3 casos confirmados A Secretaria de Saúde de São Paulo [informou] 03 casos confirmados de pessoas infectadas por febreamarela na Região Metropolitana de São Paulo. Duas morreram. A terceira pessoa é uma mulher de 27 anos que está internada no Hospital das Clínicas onde foi submetida a um transplante de fígado e está em coma, segundo a assessoria do hospital. Elas teriam contraído a doença em Mairiporã, cidade a cerca de 40 km de São Paulo, durante as festas de fim de ano. São as primeiras mortes de febre amarela de pessoas infectadas na Grande São Paulo desde que começou a série de mortes de macacos infectados no ano passado. A Prefeitura de Mairiporã informou que investiga 20 casos suspeitos de febre amarela notificados desde 13 de dezembro [2017]. Seriam 18 moradores da cidade, 01 de Santo André e 01 de São Paulo. Dos 20 casos suspeitos, 09 pessoas morreram. Fonte: https://www.promedmail.org/pt - 06 jan 2018. Para informar à população e aos profissionais de saúde de Mairiporã, você precisa realizar a análise epidemiológica dos casos e óbitos de febre amarela. Para isso, você lançaria mão da Epidemiologia Descritiva, cujo objetivo é delinear o perfil epidemiológico das populações e possibilitar intervenções de saúde coletiva contextualizadas, por meio de estudos da frequência e distribuição dos eventos em função de variáveis ligadas ao tempo, ao lugar e à pessoa. Assinale a alternativa que apresenta, CORRETAMENTE, variáveis que poderiam ser incluídas na análise epidemiológica do evento relatado no Texto 1:
Epidemiologia Descritiva = Tríade Tempo (quando), Lugar (onde) e Pessoa (quem).
A epidemiologia descritiva analisa a distribuição de agravos através de variáveis cronológicas, espaciais e sociodemográficas para identificar grupos de risco.
A epidemiologia descritiva é o pilar inicial de qualquer investigação de surto. Ela não busca estabelecer relações de causa e efeito (papel da epidemiologia analítica), mas sim descrever minuciosamente 'quem', 'onde' e 'quando' o evento ocorre. No exemplo da febre amarela em Mairiporã, a análise correta das variáveis permite que gestores de saúde identifiquem se o surto é silvestre ou urbano e quais populações estão mais vulneráveis. A escolha de variáveis como data de início dos sintomas (tempo), bairro de residência (lugar) e escolaridade (pessoa) segue o padrão ouro da vigilância epidemiológica brasileira, conforme preconizado pelo Ministério da Saúde.
As variáveis de pessoa referem-se às características dos indivíduos afetados pelo agravo à saúde. Elas incluem dados demográficos como idade, sexo, raça/cor, escolaridade, ocupação, estado civil e nível socioeconômico. Além disso, podem incluir características biológicas (estado imunológico, história de vacinação) e comportamentais (estilo de vida, hábitos alimentares). No contexto da febre amarela, a escolaridade e a ocupação são cruciais para identificar se o indivíduo se expõe a áreas de mata por trabalho ou lazer.
A variável tempo permite identificar a cronologia do evento, permitindo distinguir entre variações sazonais, tendências históricas ou surtos epidêmicos. Na prática, utiliza-se a data de início dos sintomas para construir a curva epidêmica, o que ajuda a determinar o período provável de exposição e a velocidade de propagação da doença. É fundamental para avaliar a eficácia das medidas de controle implementadas ao longo do tempo.
A variável lugar identifica a distribuição espacial do agravo, permitindo localizar áreas de maior risco ou focos de transmissão. Pode ser analisada em diferentes escalas: bairro de residência, local de trabalho, zona rural vs. urbana, ou coordenadas geográficas específicas. No caso de doenças de transmissão vetorial, como a febre amarela, identificar o local provável de infecção é vital para direcionar ações de bloqueio vetorial e vacinação focalizada.
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