UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2015
A coqueluche (tosse comprida) é uma doença infecciosa aguda do trato respiratório. Esta doença acontece no mundo todo e afeta todas as faixas etárias, podendo adquirir caráter grave nas crianças pequenas e não imunizadas. Sobre o assunto, responda: Qual o período do ano em que ela ocorre com maior frequência?
Coqueluche = Endêmica com picos em primavera/verão → Transmissão respiratória máxima na fase catarral.
A coqueluche apresenta um padrão de ocorrência universal, mas comumente exibe picos sazonais relacionados a períodos de maior aglomeração ou variações climáticas específicas de cada região.
A coqueluche, causada pela bactéria Gram-negativa Bordetella pertussis, permanece um desafio de saúde pública global. Sua epidemiologia é marcada por uma endemicidade persistente, mesmo em populações com alta cobertura vacinal, devido à queda da imunidade (waning immunity) ao longo do tempo. A sazonalidade, embora menos marcada que a da Influenza, mostra picos em climas temperados e tropicais que coincidem com mudanças na dinâmica social. O reconhecimento dos padrões sazonais auxilia os sistemas de vigilância na preparação para surtos. A apresentação clínica varia conforme a idade: enquanto adultos podem ter apenas tosse persistente (tosse dos 100 dias), recém-nascidos podem evoluir rapidamente para insuficiência respiratória. O diagnóstico precoce via PCR ou cultura e o tratamento com macrolídeos são fundamentais para interromper a cadeia de transmissão.
Embora a coqueluche possa ocorrer durante todo o ano, observa-se no Brasil uma tendência de aumento de casos nos meses de primavera e verão. Diferente de outros vírus respiratórios que predominam no inverno, a Bordetella pertussis não segue um padrão estrito de clima frio, mantendo uma circulação endêmica com surtos cíclicos a cada 3 a 5 anos, independentemente da estação.
A transmissão da coqueluche ocorre por gotículas respiratórias. Embora a bactéria seja sensível ao ambiente, a proximidade entre as pessoas em locais fechados ou eventos sociais sazonais facilita a propagação. O período de maior transmissibilidade é a fase catarral, que precede a tosse paroxística característica, tornando o controle epidemiológico desafiador durante picos sazonais.
Lactentes jovens, especialmente aqueles que ainda não completaram o esquema vacinal primário (3 doses da pentavalente), possuem maior risco de complicações graves como apneia, convulsões e encefalopatia. Em períodos de maior circulação bacteriana, a estratégia de vacinação da gestante (dTpa) é crucial para a transferência de anticorpos transplacentários e proteção neonatal.
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