UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2018
Jovem, 25 anos, atleta, jogadora de tênis, com dor em face lateral do cotovelo há 48h relacionada ao exercício. Exame físico: dor no cotovelo durante a extensão ativa do punho contra resistência. A principal hipótese diagnóstica é:
Dor lateral no cotovelo + dor na extensão resistida do punho = Epicondilite Lateral.
A epicondilite lateral é uma tendinopatia por sobrecarga dos extensores do carpo, classicamente associada ao gesto esportivo do tênis (backhand).
A epicondilite lateral, ou 'tennis elbow', é a causa mais comum de dor no cotovelo em adultos. Embora associada ao tênis, a maioria dos pacientes são trabalhadores manuais ou indivíduos que realizam atividades domésticas repetitivas. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na palpação dolorosa do epicôndilo lateral e nos testes de provocação motora. No contexto de provas de residência, é fundamental diferenciar a epicondilite lateral da medial (golfer's elbow) e da síndrome do túnel radial (compressão do nervo interósseo posterior). A descrição clássica envolve dor à extensão do punho contra resistência com o cotovelo estendido, o que tensiona a origem do extensor radial curto do carpo.
Apesar do nome 'ite', a epicondilite lateral é primariamente uma tendinose, caracterizada por microlesões e degeneração angiofibroblástica do tendão, e não um processo inflamatório agudo persistente. O músculo mais comumente afetado é o extensor radial curto do carpo (ERCC). Ocorre devido a movimentos repetitivos de extensão do punho e supinação do antebraço, levando a falhas na reparação tecidual e dor crônica na origem tendínea no epicôndilo lateral.
O Teste de Cozen é realizado com o paciente sentado, cotovelo em 90 graus de flexão e antebraço em pronação. O examinador solicita que o paciente realize a extensão do punho e o desvio radial contra a resistência aplicada pelo médico. O teste é considerado positivo se houver reprodução da dor súbita na região do epicôndilo lateral do úmero, confirmando a suspeita de epicondilite lateral.
O tratamento inicial é conservador em mais de 90% dos casos. Inclui repouso relativo (modificação de atividades), crioterapia, uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para alívio sintomático e fisioterapia focada em alongamento e fortalecimento excêntrico dos extensores. Órteses (tiras de compressão no antebraço) podem ser úteis para mudar o ponto de tração muscular. Infiltrações com corticoides são reservadas para casos refratários, mas com cautela devido ao risco de atrofia tecidual.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo