CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2017
A foto abaixo ilustra:
Epicanto + Hiperfunção de Oblíquo Inferior → Pseudoesotropia com elevação em adução.
O epicanto é uma prega cutânea que simula esotropia (pseudoestrabismo), enquanto a hiperfunção do oblíquo inferior causa elevação ocular excessiva quando o olho está em adução.
O epicanto é uma variação anatômica frequente que gera muitas consultas por suspeita de estrabismo. A prega cutânea esconde a porção medial da esclera, simulando um desvio convergente. Paralelamente, a hiperfunção dos oblíquos inferiores é uma disfunção da motilidade ocular que causa a 'elevação em adução'. Na prática oftalmológica, a associação dessas condições exige um exame cuidadoso da motilidade ocular e dos reflexos pupilares. A compreensão da anatomia palpebral e da fisiologia dos músculos extraoculares é fundamental para o residente de oftalmologia e pediatria, garantindo que anomalias reais de alinhamento não sejam negligenciadas em favor de achados puramente estéticos.
O epicanto é uma prega cutânea vertical que se estende da pálpebra superior ou inferior em direção ao canto medial do olho. É extremamente comum em crianças de ascendência asiática e em lactentes de outras etnias devido à ponte nasal subdesenvolvida. Clinicamente, o epicanto cobre a esclera nasal, criando a falsa impressão de que os olhos estão desviados para dentro (esotropia), fenômeno conhecido como pseudoestrabismo. O diagnóstico diferencial é realizado através do teste de cobertura (cover test) e do reflexo de Hirschberg, que permanecem normais/centralizados no pseudoestrabismo.
A hiperfunção do músculo oblíquo inferior (MOI) é identificada durante o exame de motilidade ocular extrínseca. O sinal clássico é a elevação excessiva do olho quando este realiza o movimento de adução (olhar em direção ao nariz). Diferente do desvio vertical dissociado (DVD), a hiperfunção do MOI obedece à lei de Hering e geralmente está associada a um desvio horizontal. Pode ser primária ou secundária a uma paralisia do músculo oblíquo superior contralateral ou ipsilateral. É uma condição comum em pacientes com esotropia congênita.
A distinção é crucial para evitar tratamentos desnecessários ou atrasos em intervenções críticas. Enquanto o pseudoestrabismo por epicanto tende a melhorar com o crescimento da face e da ponte nasal, o estrabismo verdadeiro requer correção (óptica ou cirúrgica) para prevenir a ambliopia e garantir o desenvolvimento da binocularidade. O médico deve sempre realizar o teste de Hirschberg e o cover test; se houver movimento de reposição no cover test, o diagnóstico de estrabismo verdadeiro é confirmado, independentemente da presença de pregas epicânticas.
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