FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2015
Um paciente de 72 anos, sem relato de doença prévia, foi internado por infecção urinária sendo prescrito antibioticoterapia por via endovenosa com amoxicilina associada a clavulanato. Apresenta no 4º dia de tratamento o seguinte resultado de leucograma: leucócitos 10.200: 0 basófilos/12 eosinófilos/ 0 mielócitos/ 02 bastões/52 segmentados/30 linfócitos/ 04 monócitos. O achado laboratorial pode ser atribuído ao seguinte fato:
Eosinofilia em uso de beta-lactâmico → reação de hipersensibilidade benigna → substituir antibiótico.
A eosinofilia no leucograma durante o uso de amoxicilina-clavulanato é um achado comum de hipersensibilidade medicamentosa. Embora geralmente benigna, indica a necessidade de suspender o agente causador e substituí-lo por outro antibiótico para evitar reações mais graves.
A eosinofilia induzida por drogas é uma reação adversa comum, especialmente com antibióticos beta-lactâmicos como a amoxicilina-clavulanato. Embora muitas vezes benigna, sua identificação é crucial para evitar a progressão para reações de hipersensibilidade mais graves, como a síndrome DRESS (Drug Reaction with Eosinophilia and Systemic Symptoms), que pode ser fatal. Residentes devem estar atentos a alterações no leucograma durante o tratamento com medicamentos, especialmente em pacientes sem histórico de alergias ou outras causas de eosinofilia. Fisiopatologicamente, a eosinofilia medicamentosa ocorre devido a uma resposta imune mediada por linfócitos T e citocinas que promovem a proliferação e ativação de eosinófilos. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com a eosinofilia aparecendo dias a semanas após o início da medicação. É importante diferenciar de outras causas de eosinofilia, como infecções parasitárias ou doenças alérgicas, embora o contexto clínico de uso de um novo medicamento seja um forte indicativo. O tratamento consiste na suspensão imediata do agente causador e, se necessário, substituição por uma droga de outra classe. Em casos de reações mais graves, pode ser necessário o uso de corticosteroides. A educação do paciente sobre a alergia e a documentação no prontuário são essenciais para prevenir futuras exposições ao medicamento ofensivo.
A eosinofilia é um dos principais sinais de hipersensibilidade a antibióticos no leucograma. Pode vir acompanhada de outros sintomas como rash cutâneo, febre e, em casos mais graves, disfunção orgânica.
A amoxicilina-clavulanato, como outros beta-lactâmicos, pode induzir uma resposta imune de hipersensibilidade tipo I ou IV, resultando em ativação e proliferação de eosinófilos. Isso é uma reação idiossincrática do paciente ao medicamento.
A conduta inicial é suspender o antibiótico suspeito e substituí-lo por um de outra classe, se a infecção ainda necessitar de tratamento. Monitorar o paciente para resolução da eosinofilia e outros sintomas de hipersensibilidade é fundamental.
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