Manejo da Anafilaxia e Choque Anafilático em Pediatria

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Enzo, um menino de 4 anos com diagnóstico prévio de alergia à proteína do leite de vaca (APLV) mediada por IgE, é levado à unidade de emergência. Os pais relatam que, há cerca de três horas, a criança ingeriu acidentalmente um bolinho artesanal. Inicialmente, apresentou apenas urticária generalizada e prurido, sendo medicado em casa com uma dose de desloratadina, o que resultou em melhora parcial das lesões. Contudo, há 20 minutos, enquanto brincava de correr, Enzo subitamente evoluiu com tosse persistente, chiado no peito, palidez cutânea e dois episódios de vômitos vigorosos. Ao exame físico inicial, a criança apresenta-se sonolenta, mas atende a chamados simples. Sinais vitais: frequência cardíaca de 158 bpm, frequência respiratória de 44 irpm, saturação de oxigênio de 90% em ar ambiente, tempo de enchimento capilar de 4 segundos e pressão arterial de 74/42 mmHg. À ausculta pulmonar, notam-se sibilos expiratórios difusos e tempo expiratório prolongado. Diante desse cenário clínico, a principal hipótese diagnóstica e a conduta imediata correta são:

Alternativas

  1. A) Reação alérgica bifásica; administração de prometazina intramuscular e hidrocortisona intravenosa (10 mg/kg), mantendo a criança em observação rigorosa por 24 horas, reservando a adrenalina apenas se houver piora do padrão respiratório.
  2. B) Anafilaxia com sinais de choque; aplicação de adrenalina milesimal (1:1.000) na dose de 0,01 mg/kg por via intramuscular no vasto lateral da coxa, oxigenoterapia e expansão volêmica imediata com cristaloide (20 mL/kg).
  3. C) Anafilaxia grave; aplicação de adrenalina milesimal (1:1.000) na dose de 0,01 mg/kg por via subcutânea na região deltoide, associada a nebulização com fenoterol e ipratrópio para reversão imediata do broncoespasmo.
  4. D) Choque anafilático refratário; administração de adrenalina decimilesimal (1:10.000) na dose de 0,1 mL/kg por via intravenosa direta (bolus), seguida de infusão de metilprednisolona (2 mg/kg) e monitorização em regime de terapia intensiva.

Pérola Clínica

Anafilaxia = Adrenalina IM (1:1000) 0,01 mg/kg no vasto lateral IMEDIATO.

Resumo-Chave

A anafilaxia é uma emergência médica multissistêmica. O tratamento de primeira linha é a adrenalina intramuscular; anti-histamínicos e corticoides são apenas adjuvantes.

Contexto Educacional

A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade tipo I (IgE-mediada) grave e potencialmente fatal. A liberação maciça de mediadores mastocitários causa vasodilatação sistêmica, aumento da permeabilidade vascular e broncoespasmo. O reconhecimento precoce de sinais de choque (hipotensão, tempo de enchimento capilar lentificado) e insuficiência respiratória é vital. A adrenalina atua nos receptores alfa-1 (vasoconstrição), beta-1 (inotropismo) e beta-2 (broncodilatação), sendo o único fármaco capaz de interromper a cascata anafilática.

Perguntas Frequentes

Por que a via intramuscular é preferida para adrenalina na anafilaxia?

A via intramuscular no vasto lateral da coxa proporciona uma absorção mais rápida e atinge níveis plasmáticos mais altos e sustentados do que a via subcutânea, sendo crucial para reverter rapidamente os sintomas fatais da anafilaxia.

Quais são os critérios diagnósticos para anafilaxia?

O diagnóstico é clínico e envolve o envolvimento agudo da pele ou mucosas associado a pelo menos um dos seguintes: comprometimento respiratório, queda da pressão arterial/disfunção orgânica, ou sintomas gastrointestinais graves após exposição a um alérgeno provável.

Qual a dose de expansão volêmica no choque anafilático pediátrico?

Deve-se realizar expansão rápida com cristaloides isotônicos (Soro Fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato) na dose de 20 mL/kg, podendo ser repetida conforme a resposta clínica e a estabilização hemodinâmica do paciente.

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