AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
Os enxertos de pele são frequentemente empregados para reparar lesões na superfície corporal. São divididos em enxertos de espessura parcial (EPEP) e enxertos de espessura total (EPET). Assinale a alternativa correta:
EPEP = dermátomo (epiderme + derme parcial); EPET = bisturi (epiderme + derme total).
Enxertos de espessura parcial (EPEP) são colhidos com dermátomos e preservam anexos na área doadora, enquanto os de espessura total (EPET) exigem colheita manual com bisturi.
Os enxertos de pele são tecidos transferidos de uma área doadora para uma receptora sem um pedículo vascular próprio, dependendo inteiramente da vascularização do leito receptor para sobreviver. A escolha entre espessura parcial (EPEP) e total (EPET) depende do objetivo: EPEPs têm maior taxa de 'pega' e cobrem áreas maiores, mas sofrem mais contração secundária e têm pior resultado estético. EPETs, por conterem toda a derme, mantêm melhor as características da pele original, sofrem menos contração e são ideais para face e mãos, porém exigem um leito receptor extremamente favorável. O conhecimento das ferramentas, como o dermátomo para EPEP, é essencial para o planejamento cirúrgico adequado.
Os enxertos de espessura parcial (EPEP) consistem na epiderme e em uma porção variável da derme. Devido à necessidade de precisão em áreas extensas, são geralmente retirados com dermátomos elétricos ou pneumáticos, que permitem ajustar a profundidade exata. Já os enxertos de espessura total (EPET) incluem a epiderme e toda a derme, sendo retirados manualmente com bisturi. A área doadora do EPET precisa ser fechada primariamente, enquanto a do EPEP cicatriza por reepitelização a partir dos anexos cutâneos remanescentes.
A integração ('pega') do enxerto ocorre em três fases cronológicas: 1) Embebição plasmática (primeiras 24-48h), onde o enxerto sobrevive por difusão passiva de nutrientes do leito receptor; 2) Inosculação (48h a 5 dias), onde ocorre o alinhamento e conexão de capilares do enxerto com os do leito; 3) Revascularização ou Neovascularização, onde novos vasos crescem para dentro do enxerto, estabelecendo circulação definitiva. O sucesso depende de um leito receptor bem vascularizado e ausência de coleções.
A causa mais comum de perda de enxerto é o hematoma ou seroma entre o enxerto e o leito receptor, o que impede o contato íntimo necessário para a embebição e inosculação. Outras causas importantes incluem a infecção (especialmente por Streptococcus pyogenes ou Pseudomonas), que destrói o enxerto por enzimas proteolíticas, e o cisalhamento (movimentação do enxerto sobre o leito), que rompe os delicados capilares em formação durante a fase de inosculação.
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