Queimaduras: Quando e Como Usar Enxerto de Pele Parcial

CEREM - Comissão Estadual de Residência Médica de Alagoas — Prova 2021

Enunciado

Paciente, sexo masculino, 30 anos de idade, é trazido por populares à Unidade de Pronto Atendimento,UPA, após queimadura por combustão por álcool há 30 minutos. Ao exame, A: Via aérea pérvia, colocado colar cervical, SatO2 = 96% em ar ambiente; B: murmúrios vesiculares bem distribuídos e sem ruídos adventícios, FR = 20ipm; C: Bulhas rítmicas e normofonéticas, FC: 92bpm, PA: 116x78mmHg, abdome indolor à palpação, pelve estável e toque retal sem alterações; D: escala de coma de Glasgow = 15, pupilas isocóricas e fotorreagentes; E: feridas de queimadura de segundo grau em região anterior do tronco e anterior dos membro superiores.Determine o tratamento cirúrgico, mais adequado, caso as feridas não evoluam com reepitelização com a realização de curativos.

Alternativas

  1. A) Realizar enxertos de pele total.
  2. B) Realizar retalhos cutâneos.
  3. C) Realizar enxertos de pele parcial em lâmina.
  4. D) Realizar enxertos de pele parcial em malha.

Pérola Clínica

Queimaduras de 2º grau sem reepitelização → enxerto de pele parcial em malha para cobertura e cicatrização.

Resumo-Chave

Queimaduras de segundo grau profundas ou que não cicatrizam espontaneamente em 2-3 semanas requerem intervenção cirúrgica. O enxerto de pele parcial em malha é a opção mais comum, pois permite cobrir áreas maiores com menos pele doadora e facilita a drenagem de exsudato.

Contexto Educacional

Queimaduras de segundo grau profundas ou de espessura total que não cicatrizam espontaneamente em um período de 2 a 3 semanas requerem intervenção cirúrgica para promover a cobertura da ferida e prevenir complicações. A não reepitelização adequada pode levar a infecções, perda de fluidos, dor crônica e cicatrizes hipertróficas ou contraturas. A decisão pelo tratamento cirúrgico é crucial para a recuperação funcional e estética do paciente. O tratamento cirúrgico mais adequado para queimaduras extensas ou que falham em cicatrizar é o enxerto de pele. Existem diferentes tipos de enxertos, sendo os de pele parcial os mais utilizados em queimaduras. Estes podem ser em lâmina (para áreas menores e esteticamente sensíveis) ou em malha (fenestrados), que permitem cobrir áreas maiores com menor quantidade de pele doadora e facilitam a drenagem de exsudato, sendo a escolha preferencial para grandes queimaduras. A escolha do tipo de enxerto depende da extensão e localização da queimadura, da disponibilidade de área doadora e dos objetivos funcionais e estéticos. A excisão precoce da área queimada e a enxertia são pilares do tratamento moderno de queimaduras, visando reduzir o tempo de internação, a morbidade e melhorar os resultados a longo prazo. O acompanhamento pós-operatório é fundamental para monitorar a pega do enxerto e prevenir complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para indicar enxerto de pele em queimaduras de segundo grau?

A indicação principal é a falha na reepitelização espontânea da queimadura de segundo grau profunda em 2 a 3 semanas, ou a presença de queimaduras de espessura total. A extensão da área queimada e a profundidade também influenciam a decisão.

Qual a diferença entre enxerto de pele parcial em lâmina e em malha?

O enxerto em lâmina é usado para áreas menores ou esteticamente importantes, oferecendo melhor resultado cosmético. O enxerto em malha é fenestrado, permitindo cobrir áreas maiores, drenar exsudato e é ideal para grandes queimaduras, embora com resultado cosmético inferior.

Quais as complicações mais comuns dos enxertos de pele para queimaduras?

As complicações incluem falha de pega do enxerto (por infecção, hematoma, seroma), contratura cicatricial, alterações de pigmentação, dor crônica e prurido. A infecção é uma causa comum de perda do enxerto.

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