USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022
Homem de 28 anos de idade apresenta há 2 anos cefaleia uma vez por semana de forte intensidade, unilateral, pulsátil, com foto e fonofobia e acompanhada por náuseas. Nega fenômenos visuais ou somestésicos. Há 6 meses associou outro tipo de cefaleia quase diariamente, bilateral, de fraca a moderada intensidade, em aperto, sem outros sintomas. Faz uso diário de dipirona e cetoprofeno e nos momentos de exacerbação da dor usa sumatriptano. Quais são os diagnósticos desse paciente?
Cefaleia diária + uso excessivo de analgésicos por >3 meses → suspeitar de cefaleia por abuso de medicação.
O paciente apresenta dois tipos de cefaleia: uma com características de enxaqueca sem aura e outra com características de cefaleia tensional. O uso diário de analgésicos e triptanos por mais de 3 meses, com piora da frequência da dor, indica cefaleia por abuso de medicação.
A cefaleia é uma das queixas mais comuns na prática médica, e seu diagnóstico diferencial é crucial para um manejo adequado. A enxaqueca sem aura é uma cefaleia primária caracterizada por dor unilateral, pulsátil, de intensidade moderada a grave, associada a náuseas, fotofobia e fonofobia, com duração de 4 a 72 horas. A cefaleia tensional, outra cefaleia primária, geralmente é bilateral, em aperto, de intensidade leve a moderada, sem pulsatilidade ou agravamento por atividade física, e pode apresentar fotofobia ou fonofobia, mas não ambas. Quando um paciente com cefaleia primária começa a usar analgésicos ou triptanos de forma excessiva (mais de 10-15 dias por mês por 3 meses), pode desenvolver cefaleia por abuso de medicação, que se manifesta como uma cefaleia quase diária, de características variáveis, que piora com o uso contínuo da medicação. O tratamento da cefaleia por abuso de medicação envolve a retirada gradual ou abrupta da medicação abusada, o que pode levar a uma piora transitória da dor, e o início de uma terapia profilática adequada para a cefaleia primária subjacente. É fundamental que residentes saibam identificar essa condição para evitar a perpetuação do ciclo da dor e otimizar o manejo do paciente, melhorando sua qualidade de vida.
A enxaqueca sem aura é caracterizada por cefaleia unilateral, pulsátil, de intensidade moderada a grave, agravada por atividade física, acompanhada de náuseas/vômitos e/ou foto/fonofobia, com duração de 4 a 72 horas.
É diagnosticada em pacientes com cefaleia preexistente que usam analgésicos (simples, combinados, triptanos) por 10-15 dias ou mais por mês, por pelo menos 3 meses, resultando em piora ou cronificação da cefaleia.
A cefaleia tensional é tipicamente bilateral, em aperto, leve a moderada, sem pulsatilidade, náuseas ou agravamento por atividade física, e pode ter foto OU fonofobia, mas não ambas. A enxaqueca é unilateral, pulsátil, moderada a grave, com náuseas e foto/fonofobia.
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