HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2022
Joaquim 26 anos de idade apresenta há 2 anos cefaleia uma vez por semana de forte intensidade, unilateral, pulsátil, com foto e fonofobia e acompanhada por náuseas. Nega fenômenos visuais ou somestésicos. Há 6 meses associou outro tipo de cefaleia quase diariamente, bilateral, de fraca a moderada intensidade, em aperto, sem outros sintomas. Faz uso diário de dipirona e cetoprofeno e nos momentos de exacerbação da dor usa sumatriptano. Quais são os diagnósticos desse paciente?
Cefaleia primária + uso excessivo de analgésicos (>15 dias/mês) → Cefaleia por Abuso de Medicação (CMU).
O paciente apresenta características clássicas de enxaqueca sem aura (unilateral, pulsátil, forte, foto/fonofobia, náuseas). O surgimento de uma cefaleia quase diária, em aperto, associado ao uso diário de analgésicos (dipirona, cetoprofeno) e triptanos, configura o diagnóstico de cefaleia por abuso de medicação (CMU), que pode coexistir com a enxaqueca.
As cefaleias são condições neurológicas extremamente comuns, e sua correta classificação é fundamental para um manejo adequado. O caso de Joaquim ilustra a complexidade do diagnóstico em pacientes com mais de um tipo de cefaleia e uso frequente de medicações. A primeira cefaleia descrita, com características de forte intensidade, unilateralidade, pulsatilidade, foto e fonofobia e náuseas, sem aura, é classicamente compatível com Enxaqueca Sem Aura, de acordo com os critérios da Classificação Internacional de Cefaleias (ICHD-3). A enxaqueca é uma cefaleia primária comum, com fisiopatologia complexa envolvendo disfunção do sistema trigeminal e modulação central. A segunda cefaleia, que surge quase diariamente, bilateral, em aperto e de intensidade fraca a moderada, associada ao uso diário de analgésicos (dipirona, cetoprofeno) e sumatriptano, é altamente sugestiva de Cefaleia por Abuso de Medicação (CMU), também conhecida como cefaleia por uso excessivo de analgésicos. A CMU é uma cefaleia secundária que se desenvolve em pacientes com uma cefaleia primária preexistente (frequentemente enxaqueca ou cefaleia tensional) devido ao uso crônico e excessivo de medicações para alívio agudo da dor. O uso de analgésicos simples por mais de 15 dias/mês ou triptanos por mais de 10 dias/mês, por mais de 3 meses, em um paciente com cefaleia crônica, estabelece o diagnóstico. O tratamento da CMU envolve a retirada da medicação abusada e o início de uma terapia profilática para a cefaleia primária subjacente.
Os critérios incluem pelo menos 5 ataques com duração de 4-72 horas, com pelo menos duas das seguintes características: unilateral, pulsátil, intensidade moderada a grave, agravada por atividade física. Além disso, deve haver pelo menos um dos seguintes: náuseas/vômitos ou foto/fonofobia.
A CMU é diagnosticada em pacientes com cefaleia preexistente que desenvolvem cefaleia crônica (≥ 15 dias/mês por > 3 meses) e usam excessivamente medicações para alívio agudo da cefaleia (ex: triptanos ≥ 10 dias/mês, analgésicos simples ≥ 15 dias/mês).
A conduta inicial envolve a retirada gradual ou abrupta da medicação abusada, o que pode levar a uma piora temporária da cefaleia. É fundamental iniciar uma terapia profilática para a cefaleia primária subjacente e oferecer suporte e educação ao paciente.
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