Enxaqueca: Diagnóstico e Tratamento Profilático

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026

Enunciado

Paciente do sexo feminino de 28 anos procura atendimento por crises recorrentes de cefaleia há 2 anos. Refere dor unilateral, pulsátil, de forte intensidade, acompanhada de náuseas, fotofobia e fonofobia. As crises duram entre 12 e 24 horas e ocorrem 4 a 5 vezes por mês, impactando suas atividades laborais. Ela relata que analgésicos simples e anti-inflamatórios aliviam parcialmente os sintomas, mas não previnem a recorrência. O exame neurológico está normal. Considerando o caso descrito, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) A cefaleia descrita corresponde a uma cefaleia tensional, caracterizada por dor bilateral em peso ou aperto.
  2. B) O tratamento de escolha para prevenir crises é o uso diário de triptanos.
  3. C) O tratamento profilático pode incluir betabloqueadores, antidepressivos tricíclicos ou anticonvulsivantes.
  4. D) O exame neurológico geralmente é alterado durante as crises de enxaqueca.
  5. E) O uso de anti-inflamatórios não é recomendado para tratamento das crises agudas de enxaqueca.

Pérola Clínica

Enxaqueca: Unilateral, pulsátil + foto/fonofobia. Profilaxia: Betabloqueadores, Tricíclicos ou Anticonvulsivantes.

Resumo-Chave

A enxaqueca é uma cefaleia primária incapacitante. O tratamento profilático é indicado quando as crises são frequentes (≥ 3-4/mês) ou impactam severamente a qualidade de vida.

Contexto Educacional

A enxaqueca (migrânea) é uma desordem neurológica crônica caracterizada por crises recorrentes de cefaleia e sintomas associados. A fisiopatologia envolve a ativação do sistema trigeminovascular e a liberação de neuropeptídeos inflamatórios como o CGRP. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios da Classificação Internacional de Cefaleias (ICHD-3). O manejo clínico divide-se em tratamento da crise aguda e profilaxia. Na fase aguda, utilizam-se analgésicos, AINEs ou triptanos. A profilaxia visa reduzir a frequência, gravidade e duração das crises. É fundamental orientar o paciente sobre gatilhos (sono irregular, jejum, estresse) e evitar o uso abusivo de analgésicos, que pode transformar a enxaqueca episódica em crônica.

Perguntas Frequentes

Quais são as indicações para iniciar profilaxia na enxaqueca?

A profilaxia deve ser considerada quando o paciente apresenta duas ou mais crises por mês que produzem incapacidade por três ou mais dias, quando o tratamento agudo é ineficaz, contraindicado ou causa efeitos colaterais importantes, ou quando há uso excessivo de medicação sintomática (risco de cefaleia por uso excessivo de medicação).

Quais medicamentos são usados na profilaxia da enxaqueca?

As classes de primeira linha incluem betabloqueadores (Propranolol, Atenolol), antidepressivos tricíclicos (Amitriptilina, Nortriptilina) e anticonvulsivantes (Topiramato, Valproato). A escolha depende das comorbidades do paciente: por exemplo, Amitriptilina é útil se houver insônia ou depressão, enquanto Propranolol é evitado em asmáticos.

Como diferenciar enxaqueca de cefaleia tensional?

A enxaqueca é tipicamente unilateral, pulsátil, de intensidade moderada a forte, piora com atividade física e associa-se a náuseas, vômitos, fotofobia e fonofobia. Já a cefaleia tensional é bilateral, em pressão ou aperto, de intensidade leve a moderada, não piora com esforço físico e raramente apresenta sintomas associados.

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