PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2020
Criança, nove anos de idade, consulta na UBS devido a queixa de cefaleia. Apresentou cinco crises anteriores de cefaleia, que se iniciaram há um ano. A dor é frontotemporal, às vezes unilateral, às vezes bilateral, de intensidade moderada. Nega horário preferencial e observa que é mais comum em situações de estresse. Relata piora da dor com atividade física e com barulho. Quando sente dor, ela usa dipirona, deita-se no quarto mais escuro e dorme até melhorar, o que ocorre em aproximadamente duas a três horas. Há dois dias, a mãe foi chamada na escola pois a criança apresentou vômito associado à cefaleia. Ela relatou que estava fazendo prova e meia hora antes de sentir a dor, começou a enxergar pontos escuros que a dificultavam enxergar. No momento, está sem dor e o exame físico está normal. Assinale a alternativa que contém a hipótese diagnóstica MAIS PROVÁVEL e a conduta MAIS ADEQUADA.
Enxaqueca infantil com aura: dor pulsátil, foto/fonofobia, vômitos, aura visual. Tratar crise com AINEs.
A descrição da cefaleia na criança (dor frontotemporal, piora com atividade/barulho, melhora com sono, vômito, aura visual) é clássica de enxaqueca com aura. A conduta inicial para a crise é o uso de analgésicos ou AINEs. A profilaxia é reservada para casos mais frequentes ou incapacitantes.
A cefaleia é uma queixa comum na pediatria, e a enxaqueca, incluindo a com aura, é uma das causas mais prevalentes. Para o residente, é fundamental saber diferenciar os tipos de cefaleia e instituir o manejo correto. A descrição da criança, com dor frontotemporal, piora com atividade física e barulho, melhora com o sono, vômito e, principalmente, a aura visual (pontos escuros), são características clássicas da enxaqueca com aura. A fisiopatologia da enxaqueca envolve uma disfunção neurovascular complexa, com ativação do sistema trigeminal e liberação de neuropeptídeos. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios da International Headache Society (IHS), adaptados para a faixa etária pediátrica. É importante excluir causas secundárias de cefaleia, mas no caso apresentado, a história é bastante típica. O tratamento da crise aguda em crianças deve ser iniciado precocemente com analgésicos simples (paracetamol) ou anti-inflamatórios não-esteroides (AINEs) como ibuprofeno. Triptanos podem ser usados em adolescentes. A profilaxia medicamentosa com topiramato ou propranolol é reservada para casos de enxaqueca crônica ou crises muito frequentes e incapacitantes, não sendo a primeira conduta em um paciente com cinco crises em um ano e boa resposta a medidas simples.
A enxaqueca com aura em crianças é caracterizada por crises de cefaleia com duração de 2 a 72 horas, dor pulsátil, unilateral ou bilateral, intensidade moderada a grave, piora com atividade física, associada a náuseas/vômitos e foto/fonofobia, precedida por sintomas neurológicos focais transitórios (aura), como distúrbios visuais.
A conduta inicial para uma crise de enxaqueca em crianças é o uso de analgésicos simples (paracetamol) ou anti-inflamatórios não-esteroides (ibuprofeno, naproxeno) no início dos sintomas, associado a repouso em ambiente tranquilo e escuro.
A profilaxia medicamentosa é indicada para crianças com enxaqueca que apresentam crises muito frequentes (ex: mais de 4 por mês), crises prolongadas ou incapacitantes, ou quando o tratamento agudo não é eficaz. Medicamentos como topiramato ou propranolol podem ser considerados.
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