Enxaqueca Infantil: Diagnóstico e Manejo em Crianças

SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2023

Enunciado

Laura, criança de 8 anos, tem se queixado de dor de cabeça para sua mãe desde os 6 anos de idade. Inicialmente, a criança apresentava dores esporádicas que logo se resolviam. No entanto, há 1 mês, Cristina, mãe de Laura, foi chamada pela escola, pois estavam preocupados com a criança. A professora Mariene conta que a menina tem deixado de participar da educação física cerca de 2 vezes no mês, pois logo começa a se queixar de dor de cabeça. A professora recomenda fortemente que Cristina procure um especialista para avaliar a dor de cabeça de sua filha. Assim, chegam em uma consulta agendada com Mariele, a nova médica de família e comunidade da Unidade Básica de Saúde do Morro da Mariquinha. Ao avaliar melhor a criança, Mariele descobre que as dores de cabeça de Laura acometem principalmente a região frontotemporal bilateral, geralmente associada a náuseas, melhora quando fica quietinha e isolada em um canto, sendo que tem que parar a atividade que está fazendo. Nem sempre sua dor melhora com analgésicos simples e as crises duram cerca de 2 a 4 horas, com resolução espontânea. Também melhora após dormir. Nega história de convulsões ou déficits neurológicos focais nas crises. Ao exame físico: sem alterações gerais e sem alterações no exame neurológico. Mariele precisou questionar algumas vezes qual era a preocupação de Cristina, para que ela finalmente abrisse o jogo. Enquanto sua filha brincava na maca com um balão de luva, a mãe sussurrou: "A professora Marlene me deixou apavorada. Agora não paro de pensar que minha filha pode ter um câncer na cabeça e que tenho sido negligente durante esses anos". Sobre o caso, além de prescrever medicamentos analgésicos para tratamento agudo das crises, qual a conduta de Mariele é mais adequada:

Alternativas

  1. A) Orientar que Laura apresenta quadro de cefaleia tipo tensão crônica e oferecer tratamento profilático para evitar crises frequentes.
  2. B) Orientar que Laura apresenta quadro de enxaqueca sem aura e observar nas próximas consultas sobre a necessidade de tratamento profilático.
  3. C) Orientar que Laura apresenta quadro de cefaleia tipo tensão episódica e observar em próximas consultas como ocorrerá a evolução do quadro.
  4. D) Orientar que Laura apresenta quadro de cefaléia com sinais de alerta. Solicitar exame de neuroimagem para melhor investigação.

Pérola Clínica

Cefaleia em criança com náuseas, melhora com sono/repouso, duração 2-4h → Enxaqueca sem aura.

Resumo-Chave

Os critérios diagnósticos para enxaqueca em crianças são semelhantes aos de adultos, mas com algumas particularidades, como duração mais curta das crises e localização bilateral. A presença de náuseas, fotofobia/fonofobia (implícita pela melhora em ambiente tranquilo) e melhora com o sono são características marcantes de enxaqueca.

Contexto Educacional

A cefaleia é uma queixa comum na infância e adolescência, sendo a enxaqueca e a cefaleia tipo tensão as mais prevalentes. A enxaqueca infantil, embora muitas vezes subdiagnosticada, afeta significativamente a qualidade de vida da criança. É crucial para o médico de família e comunidade e pediatras saberem identificar seus critérios e tranquilizar os pais, que frequentemente temem doenças graves como tumores cerebrais. O diagnóstico da enxaqueca em crianças baseia-se na história clínica detalhada. As características típicas incluem dor de cabeça recorrente, muitas vezes bilateral (diferente dos adultos, onde é mais unilateral), pulsátil, de intensidade moderada a grave, que piora com atividade física. Sintomas associados como náuseas, vômitos, fotofobia e fonofobia são comuns. A duração das crises pode ser mais curta em crianças, variando de 2 a 4 horas. A melhora após o sono é um forte indicativo de enxaqueca. A ausência de sinais de alerta (red flags) no exame físico e neurológico é fundamental para descartar causas secundárias. O manejo da enxaqueca infantil envolve tratamento agudo das crises (analgésicos simples, AINEs, triptanos em casos selecionados) e, se necessário, tratamento profilático. A profilaxia é indicada para crises frequentes, graves ou incapacitantes. No caso de Laura, a frequência de 2 vezes por mês já é um indicativo de impacto na vida escolar, mas a conduta inicial de observar e reavaliar a necessidade de profilaxia é razoável, enquanto se tranquiliza a mãe sobre a ausência de sinais de alerta para causas mais graves. A educação dos pais sobre a natureza benigna da enxaqueca é um pilar importante da consulta.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios diagnósticos para enxaqueca sem aura em crianças?

Os critérios incluem crises de cefaleia com duração de 2-72 horas (em crianças, pode ser 2-4 horas), pelo menos duas das características (bilateral/unilateral, pulsátil, intensidade moderada/grave, agravada por atividade física) e pelo menos uma das características associadas (náuseas/vômitos ou fotofobia/fonofobia).

Quando considerar tratamento profilático para enxaqueca em crianças?

O tratamento profilático é considerado quando as crises são frequentes (≥4 por mês), prolongadas, incapacitantes, ou quando o tratamento agudo é ineficaz ou contraindicado. No caso de Laura, a observação inicial é adequada, mas a frequência já é preocupante.

Quais são os sinais de alerta (red flags) para cefaleia em crianças?

Sinais de alerta incluem cefaleia de início súbito e grave, piora progressiva, alteração do padrão da dor, cefaleia noturna ou que acorda a criança, sinais neurológicos focais, papiledema, convulsões, alteração do estado mental, ou cefaleia em crianças < 3 anos.

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