IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2021
Mulher, 35 anos, procura pronto atendimento com dor em hemicrânio direito, pulsátil, de forte intensidade, acompanhada de náuseas/vômitos, foto e fonofobia há 6 horas. Refere episódios prévios de cefaleia semelhantes ao atual. Nega uso de medicações contraceptivas. O exame neurológico é normal. Trata-se de:
Enxaqueca: cefaleia pulsátil, hemicraniana, foto/fonofobia, náuseas/vômitos. Neuroimagem NÃO é rotina em casos típicos.
A enxaqueca é uma cefaleia primária com critérios diagnósticos bem definidos. A ausência de sinais de alarme e um exame neurológico normal geralmente dispensam exames de imagem, focando o manejo no tratamento sintomático e profilático.
A enxaqueca é uma das cefaleias primárias mais comuns, afetando significativamente a qualidade de vida. Sua prevalência é maior em mulheres jovens, e a compreensão de seus critérios diagnósticos é fundamental para um manejo adequado, evitando exames desnecessários e focando no alívio sintomático e na prevenção. O diagnóstico da enxaqueca é essencialmente clínico, baseado nos critérios da International Headache Society (IHS). A fisiopatologia envolve a ativação do sistema trigeminal e disfunção de neurotransmissores. É crucial suspeitar de enxaqueca em pacientes com histórico de cefaleias recorrentes, pulsáteis, acompanhadas de sintomas autonômicos e sensoriais. O tratamento agudo inclui analgésicos, AINEs e triptanos. A profilaxia é considerada para pacientes com alta frequência ou impacto significativo. A principal armadilha é a solicitação indiscriminada de exames de imagem, que devem ser reservados para casos com sinais de alarme ou apresentação atípica.
A enxaqueca sem aura é diagnosticada por pelo menos 5 ataques com duração de 4-72h, apresentando pelo menos duas das características (unilateral, pulsátil, moderada/grave, agravada por atividade física) e pelo menos uma das características (náuseas/vômitos, foto/fonofobia).
A neuroimagem é indicada na presença de sinais de alarme ("red flags"), como início súbito e explosivo, alteração do estado mental, déficits neurológicos focais, papiledema, cefaleia progressiva, ou em pacientes com fatores de risco (imunossupressão, câncer).
A cefaleia tensional é geralmente bilateral, em aperto, leve a moderada, sem náuseas/vômitos e sem foto/fonofobia. A enxaqueca é tipicamente unilateral, pulsátil, moderada a grave, com náuseas/vômitos e foto/fonofobia.
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