Enxaqueca Crônica: Quando Iniciar Tratamento Profilático?

HDG - Hospital Dilson Godinho (MG) — Prova 2015

Enunciado

Paciente de 25 anos, sexo feminino, procura atendimento ambulatorial por queixa de dor de cabeça. Refere que o quadro começou 8 anos antes e que ocorre em crises de cefaleia unilateral, pulsátil, com duração de 12 a 48 horas. Durante as crises, apresenta náuseas, mas nega fotofobia e fonofobia. No início, a frequência era mensal (principalmente no período menstrual), mas nos últimos 3 anos apresenta 1 crise por semana. Refere uso somente de dipirona 1 g por semana. Nega outras patologias. Exame físico normal. Qual dos itens abaixo representa conduta correta para esse caso?

Alternativas

  1. A) Solicitar tomografia de crânio.
  2. B) Iniciar tratamento profilático. 
  3. C) Solicitar ressonância de encéfalo. 
  4. D) Aumentar frequência de dipirona. 

Pérola Clínica

Enxaqueca frequente (≥4 crises/mês ou ≥8 dias/mês) ou refratária → Indicação de tratamento profilático.

Resumo-Chave

A paciente apresenta critérios para enxaqueca e, com a frequência de 1 crise por semana nos últimos 3 anos, configura enxaqueca crônica ou de alta frequência, justificando o início de tratamento profilático. O uso semanal de dipirona, embora não seja um triptano ou opioide, pode contribuir para cefaleia por uso excessivo de medicação, mas a profilaxia é a conduta prioritária para reduzir a frequência das crises.

Contexto Educacional

A enxaqueca é uma cefaleia primária comum, afetando uma parcela significativa da população, especialmente mulheres jovens. Caracteriza-se por crises de dor de cabeça unilateral, pulsátil, de intensidade moderada a grave, associada a sintomas como náuseas, fotofobia e fonofobia. A compreensão de seus critérios diagnósticos é fundamental para o manejo adequado, diferenciando-a de outras cefaleias primárias e secundárias. O diagnóstico da enxaqueca é essencialmente clínico, baseado na história e exame físico. A frequência das crises é um fator determinante para a conduta terapêutica. Quando as crises se tornam muito frequentes, como no caso de enxaqueca crônica (≥15 dias de cefaleia por mês, sendo ≥8 dias com características de enxaqueca, por mais de 3 meses), ou de alta frequência, a profilaxia se torna imperativa para melhorar a qualidade de vida do paciente e prevenir a cronificação. O uso excessivo de analgésicos agudos pode, paradoxalmente, agravar a cefaleia, levando à cefaleia por uso excessivo de medicação (CMUM). O tratamento da enxaqueca envolve tanto a terapia aguda para as crises quanto a profilaxia para reduzir sua frequência. A escolha do tratamento profilático depende das comorbidades e características individuais do paciente, incluindo betabloqueadores, antidepressivos tricíclicos, anticonvulsivantes e, mais recentemente, anticorpos monoclonais anti-CGRP. A educação do paciente sobre o manejo da dor, a identificação de gatilhos e a importância da adesão ao tratamento são cruciais para o sucesso terapêutico.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o diagnóstico de enxaqueca?

A enxaqueca é diagnosticada clinicamente por crises de cefaleia com duração de 4-72 horas, com pelo menos duas das seguintes características: unilateralidade, pulsatilidade, intensidade moderada a grave, agravamento por atividade física. Além disso, deve haver pelo menos um dos seguintes sintomas associados: náuseas/vômitos ou fotofobia e fonofobia.

Quando o tratamento profilático da enxaqueca é indicado?

O tratamento profilático é indicado quando as crises são frequentes (≥4 dias/mês), incapacitantes, ou quando o tratamento agudo é ineficaz, contraindicado ou usado em excesso. A profilaxia visa reduzir a frequência, intensidade e duração das crises.

O que é cefaleia por uso excessivo de medicação (CMUM)?

A CMUM é uma cefaleia secundária que ocorre em pacientes com cefaleia primária preexistente, que fazem uso excessivo e regular de medicação para alívio da dor. O diagnóstico é feito quando o paciente usa analgésicos agudos por 10-15 dias ou mais por mês, por pelo menos 3 meses, e a cefaleia piora ou se torna crônica.

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