HRD - Hospital Rio Doce - Linhares (ES) — Prova 2020
Uma mulher de 26 anos se queixa de crises de cefaleia unilateral, pulsátil, muito intensa, que dura um dia inteiro e acompanha-se de náuseas. Não apresenta melhora com o uso de dipirona, paracetamol e ibuprofeno. As crises ocorrem 2 vezes por semana e comprometem a funcionalidade da paciente. Não possui doenças atuais ou histórico de doenças prévias e não faz uso diário de medicamentos. Ao exame físico, apresenta-se alerta e orientada. Os dados vitais são PA: 150 X 88mmHg, FC: 86bpm, FR: 16ipm e SpO₂ 98%. O restante do exame físico não apresenta anormalidades. Considerando o quadro clínico descrito, assinale alternativa que apresenta a conduta MAIS ADEQUADA para o tratamento das crises e para a prevenção das cefaleias, respectivamente:
Enxaqueca frequente e refratária → Triptano para crise, betabloqueador para profilaxia.
A paciente apresenta um quadro clássico de enxaqueca com alta frequência e refratariedade a analgésicos comuns, justificando o uso de um triptano (Naratriptano) para o tratamento agudo das crises e um betabloqueador (Metoprolol) como terapia profilática para reduzir a frequência e intensidade dos episódios.
A enxaqueca é uma cefaleia primária comum, caracterizada por crises recorrentes de dor de cabeça unilateral, pulsátil, de intensidade moderada a grave, acompanhada de sintomas como náuseas, vômitos, fotofobia e fonofobia. Afeta significativamente a qualidade de vida dos pacientes, sendo uma das principais causas de incapacidade em adultos jovens. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios da International Headache Society. A fisiopatologia da enxaqueca envolve a ativação do sistema trigeminal vascular e a liberação de neuropeptídeos, como o peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP). O tratamento agudo visa abortar a crise, e os triptanos são a primeira linha para crises moderadas a graves, agindo nos receptores de serotonina. A profilaxia é indicada para reduzir a frequência, intensidade e duração das crises, melhorando a resposta ao tratamento agudo. A escolha do tratamento profilático depende das comorbidades e preferências do paciente. Betabloqueadores (como metoprolol, propranolol) são frequentemente utilizados, assim como anticonvulsivantes (topiramato, valproato) e antidepressivos tricíclicos (amitriptilina). A educação do paciente sobre gatilhos e a adesão ao tratamento são cruciais para o sucesso terapêutico.
A profilaxia é indicada quando as crises são frequentes (≥ 4 dias/mês), incapacitantes, refratárias ao tratamento agudo ou quando há uso excessivo de analgésicos.
Os triptanos são agonistas seletivos dos receptores 5-HT1B/1D da serotonina, causando vasoconstrição dos vasos intracranianos dilatados e inibindo a liberação de neuropeptídeos pró-inflamatórios.
Outras opções incluem topiramato, amitriptilina, valproato, bloqueadores dos canais de cálcio e, mais recentemente, anticorpos monoclonais anti-CGRP.
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