PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2024
Paciente D.A.O., masculino, 28 anos de idade, solteiro, engenheiro civil, em tratamento para transtorno de ansiedade com venlafaxina 150 mg 1 cps. Nega alergia a medicamentos, nega etilismo, nega tabagismo e nega consumo de outras drogas, pratica natação 3 x por semana (50 minutos por sessão).S1. Paciente refere que há 5 anos tem apresentado crises de cefaleias, sempre foi frequente, estima que nos últimos 3 meses tem passado mais de 15 dias por mês com cefaleia. A cefaleia é bilateral, em aperto, forte intensidade, atingindo o pico em poucas horas e com piora na atividade física rotineira como caminhar e subir escadas. Paciente refere que como sintoma associado sempre apresenta náuseas e fonofobia, porém nega fotofobia. Nega: calafrios, febre, mialgia, perda de peso, claudicação mandibular, sintomas neurológicos focais ou sistêmicos (nega inclusive sintomas como disfasia e positivos/negativos na visão/sensibilidade), agravação postural, precipitar por exercício/postura/tosse/relação sexual. O1. Sem papiledema, sem déficits neurológicos e algum grau de tensão muscular na cervical (sem configuração de ponto de gatilho). O complemento do registro do “A” no modelo SOAP, de acordo com a Terceira Edição da Classificação de Cefaleia do Comitê da Sociedade Internacional das Cefaleias (ICHD-3), é:
Cefaleia >15 dias/mês, bilateral, pulsátil/aperto, náuseas/fonofobia, piora com esforço = Enxaqueca Crônica.
A enxaqueca crônica é definida pela ocorrência de cefaleia em 15 ou mais dias por mês por mais de 3 meses, com pelo menos 8 dias preenchendo os critérios de enxaqueca. Os sintomas como náuseas, fonofobia e piora com atividade física são marcadores importantes, mesmo que a dor seja bilateral ou em aperto, o que pode confundir com cefaleia tensional. A ausência de sinais de alarme é crucial para a classificação.
A classificação das cefaleias, conforme a ICHD-3 (International Classification of Headache Disorders, 3rd edition), é uma ferramenta essencial para o diagnóstico e manejo adequados. A diferenciação entre os diversos tipos de cefaleia primária, como enxaqueca e cefaleia tensional, é fundamental, especialmente quando se tornam crônicas. A enxaqueca crônica representa um desafio significativo devido ao seu impacto na qualidade de vida dos pacientes. O diagnóstico da enxaqueca crônica baseia-se na frequência da cefaleia (≥15 dias/mês por ≥3 meses) e na presença de características migranosas em pelo menos 8 desses dias. Sintomas como náuseas, fonofobia (sensibilidade ao som) e piora com atividade física são cruciais, mesmo na ausência de fotofobia (sensibilidade à luz) ou de dor unilateral/pulsátil. A ausência de sinais de alarme é um ponto importante para a classificação como cefaleia primária. Para residentes, é vital dominar os critérios da ICHD-3 para evitar diagnósticos errôneos e garantir que os pacientes recebam o tratamento mais eficaz. A abordagem terapêutica da enxaqueca crônica envolve tanto o tratamento agudo quanto a profilaxia, com diversas opções farmacológicas e não farmacológicas disponíveis, visando reduzir a frequência e a intensidade das crises e melhorar a funcionalidade do paciente.
A enxaqueca crônica é diagnosticada quando a cefaleia ocorre em 15 ou mais dias por mês por mais de 3 meses, e pelo menos 8 desses dias preenchem os critérios para enxaqueca com ou sem aura, ou são aliviados por triptanos ou derivados de ergotamina.
A enxaqueca crônica frequentemente apresenta características como náuseas, vômitos, fotofobia ou fonofobia, e piora com atividade física, mesmo que a dor seja bilateral ou em aperto. A cefaleia tensional crônica geralmente não tem esses sintomas associados e a dor é tipicamente leve a moderada, sem piora com atividade física rotineira.
Sinais de alarme incluem início súbito e intenso ('thunderclap'), cefaleia que piora progressivamente, início após os 50 anos, alteração do padrão da cefaleia, sintomas neurológicos focais, febre, rigidez de nuca, papiledema, cefaleia associada a trauma craniano recente, ou em pacientes com câncer/imunossupressão.
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