HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2026
Uma adolescente de 16 anos relata episódios de cefaleia pulsátil unilateral, precedidos por fenômenos visuais que duram cerca de 20 minutos e desaparecem antes do início da dor. O sintoma mais característico relatado é a presença de "luzes em zig zag" no campo visual. Estes fenômenos são melhor classificados como:
Aura visual típica (zig-zag/escotoma) dura 5-60 min e precede a cefaleia pulsátil.
O escotoma cintilante é a manifestação de aura mais comum, caracterizada por luzes em zig-zag que se expandem, refletindo o fenômeno neurofisiológico da depressão alastrante cortical.
A enxaqueca com aura afeta cerca de um terço dos pacientes com enxaqueca. O reconhecimento preciso da aura é crucial para o diagnóstico diferencial com outras condições neurológicas, como o Ataque Isquêmico Transitório (AIT). Enquanto o AIT tem início súbito e sintomas predominantemente negativos (perda de função), a aura da enxaqueca tem uma 'marcha' lenta e progressiva, com sintomas positivos seguidos por negativos. O escotoma cintilante, descrito pela paciente como 'luzes em zig-zag', é a manifestação visual clássica. O manejo clínico envolve o tratamento agudo da dor (com triptanos, AINEs ou derivados de ergot) e a avaliação da necessidade de profilaxia se as crises forem frequentes ou incapacitantes. É importante ressaltar que mulheres que apresentam enxaqueca com aura possuem um risco cardiovascular levemente aumentado, o que contraindica formalmente o uso de anticoncepcionais combinados contendo estrogênio devido ao risco elevado de acidente vascular cerebral isquêmico.
O escotoma cintilante é o sintoma visual mais característico da aura de enxaqueca. Ele geralmente começa como um pequeno ponto brilhante ou uma área de perda visual perto do centro do campo visual. Ao longo de minutos, essa alteração se expande para a periferia, assumindo frequentemente uma forma de 'C' ou zig-zag com bordas cintilantes ou coloridas (espectro de fortificação). Diferente de problemas oculares puros, a aura de enxaqueca é um fenômeno cortical cerebral; portanto, é percebida em ambos os olhos, mesmo que o paciente sinta que é apenas em um. A duração típica é de 5 a 60 minutos, sendo seguida pela fase de dor da cefaleia.
A base fisiopatológica da aura é um fenômeno conhecido como Depressão Alastrante Cortical (ou Depressão de Leão). Trata-se de uma onda de despolarização neuronal e glial que se propaga lentamente pelo córtex cerebral (geralmente começando no córtex occipital visual) a uma velocidade de 2 a 5 mm por minuto. Essa onda de despolarização é seguida por um período prolongado de inibição da atividade neuronal e redução do fluxo sanguíneo cerebral (hipoperfusão). A fase de despolarização explica os sintomas 'positivos' (luzes, zig-zags), enquanto a fase de inibição explica os sintomas 'negativos' (escotomas ou perda de visão).
De acordo com a ICHD-3, a enxaqueca com aura requer pelo menos dois episódios que preencham os seguintes critérios: sintomas de aura totalmente reversíveis (visuais, sensoriais, de fala, motores, de tronco cerebral ou retinianos). Pelo menos três das quatro características seguintes devem estar presentes: 1) pelo menos um sintoma de aura se espalha gradualmente durante ≥ 5 minutos; 2) dois ou mais sintomas ocorrem sucessivamente; 3) cada sintoma individual de aura dura entre 5 e 60 minutos; 4) pelo menos um sintoma de aura é unilateral. A cefaleia geralmente acompanha ou segue a aura em menos de 60 minutos, mas pode não ocorrer em alguns episódios (aura sem cefaleia).
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