CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2010
São características da perda visual na enxaqueca clássica (com aura):
Aura visual = Hemianopsia homônima transitória + Escotomas cintilantes (bilateral/cortical).
A perda visual na enxaqueca clássica é tipicamente uma hemianopsia homônima transitória, refletindo um fenômeno cortical (depressão alastrante) e não uma patologia ocular isolada.
A enxaqueca com aura (anteriormente chamada de enxaqueca clássica) é uma condição neurológica crônica com manifestações visuais episódicas marcantes. A fisiopatologia envolve alterações vasculares secundárias a eventos neuronais corticais. É fundamental para o clínico diferenciar a aura típica de eventos isquêmicos. A natureza 'positiva' dos sintomas (luzes, brilhos, zigue-zagues) e a progressão lenta favorecem o diagnóstico de enxaqueca, enquanto perdas súbitas e 'negativas' (sombras fixas) alertam para causas vasculares obstrutivas.
O escotoma cintilante é a manifestação visual mais comum da aura de enxaqueca. Ele geralmente começa como um pequeno ponto luminoso ou mancha escura perto do centro do campo visual, que se expande gradualmente em forma de 'C' ou zigue-zague (espectro de fortificação). As bordas costumam ser cintilantes ou coloridas. Diferente de problemas retinianos, ele ocorre mesmo com os olhos fechados, pois tem origem no córtex visual occipital.
A hemianopsia homônima transitória ocorre devido a um fenômeno neurofisiológico chamado Depressão Alastrante de Leão. Trata-se de uma onda de despolarização neuronal seguida de supressão da atividade elétrica que percorre o córtex cerebral, geralmente iniciando-se no lobo occipital. Como cada hemisfério cortical processa o campo visual contralateral de ambos os olhos, a disfunção temporária resulta em um defeito de campo homônimo (perda do lado direito ou esquerdo em ambos os olhos).
De acordo com os critérios da Sociedade Internacional de Cefaleia (IHS), a aura visual da enxaqueca deve durar entre 5 e 60 minutos. Ela precede a fase de dor de cabeça ou ocorre simultaneamente ao início da cefaleia. Se a perda visual durar mais de 60 minutos ou for estritamente monocular, outras etiologias como AIT, neuropatia óptica isquêmica ou enxaqueca retiniana devem ser investigadas.
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