Manejo de Enxaqueca e Diabetes Tipo 1: Caso Clínico

USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019

Enunciado

Mulher 32 anos de idade, com diagnóstico diabetes tipo 1 desde os 9 anos de idade, comparece ao ambulatório de clínica geral para retorno. Está em uso de insulina NPH 8 UI antes do café, 8 UI antes do almoço e 8 UI antes de dormir, insulina regular 6 UI antes do café da manhã, 6 UI antes do almoço, e 4 UI antes do jantar. Ela é secretária e, devido dificuldades, no trabalho faltou às duas últimas consultas. Não se recorda quando realizou avaliação com oftalmologista pela última vez, mas nega problemas visuais. Nega queixas álgicas ou de sensibilidade de membros inferiores. Queixa-se apenas de cefaléia há vários anos, atualmente, está mais intensa, hemicraniana direita, pulsátil, associada a náuseas, foto e fonofobia, sempre precedida de alterações visuais com pontos brilhantes. Relata crises de dor 2x por semana, muito limitantes e tem usado dipirona diariamente, mesmo sem ter dor, porque relata não poder perder mais dias de serviço. Não tem outras queixas. Não bebe e não fuma. Tem vida sexual ativa com namorado e utiliza, além das insulinas, pílula anticoncepcional como método contraceptivo, apenas.Ao exame clínico: bom estado geral, corada, hidratada, acianótica, anictérica, eupnéica, consciente e orientada. PA: 156x98 mmHg, frequência cardíaca: 72bpm, IMC: 29kg/m2 . Semiologias neurológica, pulmonar, cardíaca e abdominal sem alterações; Extremidades sem edemas , pulsos presentes bilaterais, ao exame dos pés ausência de sensibilidade com monofilamento em 3 pontos em ambos os pés sem alterações.Traz consigo controle de glicemia capilar e exames pedidos na última consulta (que conseguiu realizar apenas agora).Exames complementares e controle de glicemia capilarCr=0,8mg/dL - U=45mg/dL - Na⁺=138 mEq/dL - K⁺: 4,1 mEq/LMicroalbuminúria: 20mg/gCr; Fundo de olho normalEletrocardiograma: Ritmo sinusal, normal.Perfil lipídico sem alterações.Glicemia de jejum = 200 mg/dl, Hb glicada = 9,5%.Controle de Glicemia Capilar:a) Cite o diagnóstico relativo à cefaléia da paciente. \nb) Cite a (s) conduta (s) para tratamento da cefaléia da paciente. \nc) Faça prescrição de insulina da paciente, a partir do controle trazido à consulta.

Alternativas

Pérola Clínica

Enxaqueca + uso diário de analgésico → Cefaleia por rebote; Profilaxia é mandatória e analgésico deve ser suspenso.

Resumo-Chave

O diagnóstico é enxaqueca com aura associada a cefaleia por uso excessivo de medicação. O manejo exige desmame de analgésicos, início de profilaxia e ajuste rigoroso da insulinoterapia basal-bolus.

Contexto Educacional

O caso integra neurologia e endocrinologia. A enxaqueca com aura em mulheres jovens que usam anticoncepcionais combinados aumenta o risco de AVC isquêmico, exigindo revisão do método contraceptivo. A cefaleia por uso excessivo de analgésicos (MOH) é uma complicação comum que impede a eficácia de tratamentos profiláticos se não houver a suspensão da medicação abusada. No DM1, o controle glicêmico rigoroso (HbA1c < 7%) é fundamental para prevenir complicações microvasculares, embora a paciente já apresente fundo de olho e microalbuminúria normais. O ajuste da insulinoterapia deve focar na correção da glicemia de jejum e das excursões pós-prandiais, monitorando a adesão ao tratamento e educando sobre a técnica de aplicação.

Perguntas Frequentes

Qual o critério para cefaleia por uso excessivo de medicamentos?

Ocorre em pacientes com cefaleia primária pré-existente que utilizam analgésicos simples por pelo menos 15 dias por mês ou triptanos/ergotamínicos por pelo menos 10 dias por mês, por um período superior a 3 meses, resultando em piora da frequência e intensidade da dor basal.

Quais as opções profiláticas para enxaqueca nesta paciente?

Considerando a hipertensão (156/98 mmHg) e o IMC de 29, o Topiramato é uma excelente opção por auxiliar na perda de peso. Betabloqueadores como Propranolol podem ser usados, mas exigem cautela no DM1 pelo risco de mascarar sintomas adrenérgicos de hipoglicemia grave.

Como ajustar a insulina com HbA1c de 9,5%?

A paciente apresenta hiperglicemia persistente e controle inadequado. Deve-se aumentar a dose total de insulina (basal e prandial), preferencialmente migrando para análogos de longa e rápida ação para melhor perfil farmacocinético e menor risco de hipoglicemia noturna em comparação à NPH/Regular.

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