HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2026
Mulher cis de 25 anos, nulípara, com ciclos menstruais irregulares, procura orientação contraceptiva. Ela relata que teve episódios de enxaqueca com aura nos últimos 6 meses em acompanhamento com neurologista. Qual é a melhor opção contraceptiva para essa paciente?
Enxaqueca com aura + Estrogênio = Risco ↑ de AVC (OMS Categoria 4).
O uso de etinilestradiol em pacientes com enxaqueca com aura é contraindicado pelo risco aumentado de AVC isquêmico. Métodos de progestagênio isolado são seguros.
A escolha do método contraceptivo deve ser individualizada, considerando as comorbidades da paciente e os Critérios Médicos de Elegibilidade da OMS. Na neurologia e ginecologia, a distinção entre enxaqueca comum e enxaqueca com aura é vital. A aura refere-se a sintomas neurológicos focais que precedem ou acompanham a cefaleia. Para essas mulheres, a segurança cardiovascular é a prioridade, tornando os métodos de longa duração (LARCs), como os DIUs e implantes, excelentes opções por sua alta eficácia e perfil de segurança superior em relação aos métodos combinados.
A enxaqueca com aura já é um fator de risco independente para o acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico. O uso de anticoncepcionais hormonais combinados (que contêm estrogênio) potencializa esse risco de forma sinérgica, aumentando em várias vezes a chance de eventos tromboembólicos arteriais. Por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o uso de combinados em mulheres com enxaqueca com aura como Categoria 4 (risco inaceitável à saúde).
Sim. O DIU liberador de levonorgestrel (DIU-LNG) é um método de progestagênio isolado com ação predominantemente local. Como não contém estrogênio, ele não aumenta o risco de AVC ou outros eventos tromboembólicos arteriais, sendo classificado como Categoria 1 ou 2 pela OMS para pacientes com enxaqueca. Além disso, oferece alta eficácia contraceptiva e benefícios adicionais, como a redução do fluxo menstrual e melhora da dismenorreia.
Além do DIU-LNG, as pacientes com enxaqueca com aura podem utilizar o DIU de cobre (não hormonal), implantes subdérmicos de etonogestrel, injeções de acetato de medroxiprogesterona trimestral ou pílulas de progestagênio isolado (minipílulas ou pílulas de desogestrel). O foco deve ser sempre evitar o componente estrogênico, independentemente da via de administração (oral, transdérmica ou vaginal), para mitigar o risco de AVC.
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