Enxaqueca Crônica: Tratamento Preventivo e Opções

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 34 anos, apresenta quadro de cefaleia temporal direita, pulsátil, com fotofobia e vômitos. Refere que, nos últimos 3 anos, ela tem apresentado cerca de 2 crises por semana.Sobre esse caso, assinale a afirmativa correta.

Alternativas

  1. A) O tratamento ideal deve ser feito com relaxantes musculares.
  2. B) O quadro sugere arterite temporal, sendo a corticoterapia a primeira opção.
  3. C) Trata-se de cefaleia secundária e devem ser investigados aneurisma ou tumor cerebral.
  4. D) A coleta de líquor, após a realização de tomografia de crânio, é fundamental para o tratamento apropriado.
  5. E) O tratamento preventivo para essa paciente deve ser feito com betabloqueador ou topiramato.

Pérola Clínica

Enxaqueca com alta frequência de crises → tratamento preventivo com betabloqueador ou topiramato.

Resumo-Chave

A paciente apresenta um quadro clássico de enxaqueca com alta frequência de crises (2/semana por 3 anos), o que indica a necessidade de tratamento preventivo. Relaxantes musculares são ineficazes, arterite temporal é improvável pela idade e cronicidade, e não há sinais de cefaleia secundária que justifiquem investigação invasiva imediata.

Contexto Educacional

A enxaqueca é uma cefaleia primária comum, caracterizada por crises recorrentes de dor de cabeça, frequentemente unilateral, pulsátil, de intensidade moderada a grave, associada a sintomas como náuseas, vômitos, fotofobia e fonofobia. Afeta uma parcela significativa da população, impactando a qualidade de vida e a produtividade. A identificação de um padrão de alta frequência de crises, como no caso apresentado, é crucial para a decisão terapêutica. A fisiopatologia da enxaqueca envolve uma complexa interação de fatores genéticos e ambientais, com disfunção de vias neurais e liberação de neuropeptídeos, como o peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP). O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios da Classificação Internacional das Cefaleias. É fundamental diferenciar a enxaqueca de cefaleias secundárias, embora a apresentação crônica e típica da enxaqueca geralmente dispense investigações adicionais invasivas na ausência de sinais de alerta. O tratamento da enxaqueca inclui o manejo agudo das crises e a profilaxia. O tratamento preventivo é indicado para pacientes com crises frequentes ou incapacitantes, visando reduzir a frequência, intensidade e duração das crises. Betabloqueadores (como propranolol) e topiramato são opções de primeira linha bem estabelecidas, atuando por diferentes mecanismos para modular a excitabilidade neuronal e vascular. A escolha do medicamento deve considerar comorbidades e perfil de efeitos adversos do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para iniciar o tratamento preventivo da enxaqueca?

O tratamento preventivo da enxaqueca é indicado quando as crises são frequentes (geralmente ≥ 4 dias/mês), incapacitantes, ou quando o tratamento agudo é ineficaz ou contraindicado. A decisão deve considerar a qualidade de vida do paciente e a frequência de uso de medicações abortivas.

Quais são os principais medicamentos utilizados na profilaxia da enxaqueca?

Os principais medicamentos para a profilaxia da enxaqueca incluem betabloqueadores (como propranolol), topiramato, amitriptilina, e bloqueadores dos canais de cálcio. Mais recentemente, anticorpos monoclonais contra o CGRP também se tornaram uma opção para casos refratários.

Como diferenciar enxaqueca de outras cefaleias primárias?

A enxaqueca tipicamente se apresenta com dor unilateral, pulsátil, de intensidade moderada a grave, associada a náuseas/vômitos, fotofobia e/ou fonofobia. Diferencia-se da cefaleia tensional pela intensidade e sintomas associados, e da cefaleia em salvas pela curta duração e sintomas autonômicos.

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