UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Menina de 7 anos é levada à consulta por seus pais devido a queixas recorrentes de dor abdominal há cerca de 1 ano. Os episódios de dor começam em torno da região umbilical, principalmente no início da manhã ou após as refeições, associados a náusea. A dor tende a melhorar ao longo do dia e não é acompanhada de alterações no hábito intestinal. Durante os episódios de dor, a criança também se queixa de dor de cabeça, que se intensifica em ambientes com barulho ou luz intensa. Apresenta boa ingesta hídrica e alimentação variada, apesar de comer doces em excesso. A criança apresenta ganho pondero-estatural adequado e desenvolvimento neuropsicomotor esperado para a idade. Não há histórico de trauma ou doenças gastrointestinais significativas na família. Pais relatam que a criança está em boas condições gerais, sem perda de peso ou prostração. Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico desse caso.
Dor abdominal periumbilical + náusea + cefaleia com fotofobia/fonofobia em criança → Enxaqueca abdominal.
A enxaqueca abdominal é uma síndrome de dor abdominal funcional que afeta crianças, caracterizada por episódios recorrentes de dor periumbilical intensa, náuseas, vômitos e, frequentemente, sintomas associados à enxaqueca clássica, como cefaleia, fotofobia e fonofobia, na ausência de uma causa orgânica identificável.
A enxaqueca abdominal é um transtorno gastrointestinal funcional comum na infância, caracterizado por episódios recorrentes de dor abdominal intensa, geralmente periumbilical, que não pode ser atribuída a uma causa orgânica. É considerada um 'equivalente de enxaqueca', pois compartilha mecanismos fisiopatológicos e características clínicas com a enxaqueca clássica, incluindo a presença de sintomas associados como náuseas, vômitos, palidez e, frequentemente, cefaleia com fotofobia ou fonofobia. O diagnóstico da enxaqueca abdominal é clínico, baseado nos critérios de Roma IV, após exclusão de outras causas orgânicas de dor abdominal. É fundamental realizar uma anamnese detalhada e exame físico completo, além de exames complementares básicos (hemograma, parasitológico de fezes, urinálise) para afastar doenças inflamatórias, infecciosas ou metabólicas. A ausência de sinais de alarme (perda de peso, sangue nas fezes, febre, dor noturna que acorda a criança) apoia o diagnóstico funcional. O manejo da enxaqueca abdominal envolve uma abordagem multifacetada. Medidas não farmacológicas incluem a identificação e evitação de gatilhos (estresse, certos alimentos), e a promoção de um estilo de vida saudável. Para o tratamento dos episódios agudos, podem ser utilizados analgésicos e antieméticos. Em casos de episódios frequentes ou incapacitantes, a profilaxia com medicamentos como ciproheptadina, propranolol ou amitriptilina pode ser considerada. O prognóstico é geralmente bom, com muitos pacientes apresentando remissão na adolescência.
Os critérios de Roma IV incluem pelo menos 2 episódios de dor abdominal paroxística intensa e aguda, periumbilical ou difusa, com duração de 1 a várias horas, associada a náuseas, vômitos, anorexia, palidez ou fotofobia/fonofobia, sem evidência de doença orgânica.
A enxaqueca abdominal é considerada um equivalente da enxaqueca na infância. Muitas crianças com enxaqueca abdominal desenvolvem enxaqueca clássica com cefaleia na adolescência ou idade adulta.
O tratamento envolve medidas não farmacológicas (evitar gatilhos, dieta, manejo do estresse) e farmacológicas para alívio agudo (antieméticos, analgésicos) e profilaxia (ciproheptadina, propranolol, amitriptilina) em casos frequentes ou graves.
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