PMF - Prefeitura Municipal de Franca (SP) — Prova 2021
Menino, 5 anos, procedente da zona rural chega na emergência com história de picada por animal não identificado. Logo em seguida apresentou vômitos, sudorese e sonolência. Ao exame físico: MEG, descorado, acianótico, hidratado. Olhos: ptose palpebral. Boca: seca. Ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações, FR 30 ipm, FC 130 bpm, pulsos cheios. Tempo de enchimento capilar 2 segundos, PA 100 x 60 mmHg. Abdome: plano, normotenso, indolor fígado e baço não palpável. SN hipotonia de musculatura e midríase. Diante deste quadro clínico qual o soro antiveneno você optaria?
Ptose, midríase, hipotonia muscular, sonolência após picada = envenenamento crotálico (neurotóxico) → Soro Anticrotálico.
O quadro clínico de ptose palpebral, hipotonia muscular, midríase e sonolência, após picada de animal não identificado em zona rural, é altamente sugestivo de envenenamento neurotóxico, característico da picada de serpentes do gênero Crotalus (cascavel). O soro anticrotálico é o tratamento específico para neutralizar a neurotoxina (crotoxina) presente no veneno.
O acidente ofídico por serpentes do gênero Crotalus (cascavel) é um tipo de envenenamento que se destaca por seus marcantes efeitos neurotóxicos. A identificação precoce dos sinais e sintomas é crucial para o manejo adequado e a administração do soro antiveneno específico. A história de picada em zona rural, seguida por sintomas como vômitos, sudorese, sonolência, ptose palpebral, hipotonia muscular e midríase, forma um quadro clínico altamente sugestivo de envenenamento crotálico. A principal toxina responsável por esses efeitos é a crotoxina, que age na junção neuromuscular, bloqueando a liberação de neurotransmissores e levando à paralisia. Além dos efeitos neurotóxicos, o veneno crotálico pode causar rabdomiólise, resultando em mialgia e urina escura devido à mioglobinúria, o que pode levar à insuficiência renal aguda se não tratada. O tratamento de escolha para o envenenamento crotálico é a administração do soro anticrotálico, que deve ser feito o mais precocemente possível para neutralizar as toxinas circulantes. Para residentes, é fundamental reconhecer a 'fácies neurotóxica' (ptose, midríase) e a hipotonia como sinais-chave, diferenciando este tipo de envenenamento de outros acidentes ofídicos que predominam com efeitos locais ou coagulopáticos, garantindo assim a escolha correta do soro e um prognóstico favorável.
O envenenamento crotálico é caracterizado por efeitos neurotóxicos, como ptose palpebral, oftalmoplegia, visão turva, midríase ou miose, e paralisia de músculos respiratórios e da deglutição. Também pode haver mialgia, urina escura (mioglobinúria por rabdomiólise) e, menos comumente, alterações da coagulação.
A principal toxina neurotóxica do veneno de Crotalus durissus é a crotoxina, uma neurotoxina pré-sináptica que age na junção neuromuscular, bloqueando a liberação de acetilcolina e causando paralisia flácida, que se manifesta clinicamente como ptose, hipotonia muscular e, em casos graves, insuficiência respiratória.
A diferenciação é feita pelos efeitos predominantes do veneno. O envenenamento botrópico (jararaca) causa principalmente dor local intensa, edema, bolhas, necrose e alterações da coagulação. O laquético (surucucu) tem efeitos semelhantes ao botrópico, mas mais graves. O elapídico (coral) também é neurotóxico, mas com paralisia progressiva e sem midríase, podendo causar miose.
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