UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2022
Menino de 4 anos comparece à consulta com o médico da UESF acompanhado pela mãe, a qual relata que ele urina na cama quase toda noite durante o sono, desde que tentou tirar da fralda aos 2 anos. Refere, ainda, que durante o dia fica sem fralda e urina bem, jato forte, sem disúria e alteração na cor ou cheiro da urina. Nega constipação intestinal e diarreia. Aleitamento materno exclusivo até os 6 meses. Atualmente consome a mesma dieta da família. Caderneta de vacinas em dia. Nega doenças e uso de medicação. Ao exame: criança em BEG, afebril, corado, anictérica, acianótica. Otoscopia e orofaringe sem alteração. AR: Murmúrio vesicular fisiológico, simétrico, sem ruídos adventícios. ACV: RCR, 2t, sem sopros. Boa perfusão periférica. Abdome: plano, simétrico, indolor, sem visceromegalias. RHA normoativos. Genitália masculina: pênis bem formado, prepúcio retrai e expõe a glande, meato uretral bem posicionado, sem hiperemia, testículos tópicos. SN: sem sinais meníngeos. Pele: sem lesões. Foram solicitados exames da urina: EAS e Urocultura do jato médio, que se apresentam normais. Qual a principal hipótese diagnóstica?
Enurese noturna < 5 anos, sem sintomas diurnos ou outras alterações → fisiológica.
A enurese noturna é considerada fisiológica em crianças abaixo de 5 anos, especialmente quando não há sintomas diurnos, infecções urinárias ou outras comorbidades. O controle esfincteriano noturno se desenvolve em ritmos diferentes para cada criança.
A enurese noturna é definida como a perda involuntária de urina durante o sono em crianças com idade superior a 5 anos. É um problema comum, afetando cerca de 15-20% das crianças aos 5 anos, com prevalência decrescente com a idade. A compreensão de sua fisiologia e classificação é crucial para um manejo adequado, evitando intervenções desnecessárias e minimizando o impacto psicossocial. A enurese noturna pode ser classificada como primária (sem período de continência prévio) ou secundária (após um período de pelo menos 6 meses de continência). Além disso, pode ser monossintomática (apenas perda noturna, sem sintomas diurnos) ou não monossintomática (com sintomas diurnos associados). O diagnóstico diferencial inclui infecções do trato urinário, diabetes mellitus, diabetes insipidus, apneia do sono, constipação e disfunções vesicais. A avaliação inicial deve incluir história clínica detalhada, exame físico e exames de urina (EAS e urocultura) para descartar causas orgânicas. O tratamento da enurese noturna primária monossintomática em crianças acima de 5 anos geralmente começa com medidas comportamentais, como restrição hídrica noturna, micção antes de dormir e uso de alarmes enuréticos. A farmacoterapia, como desmopressina ou antidepressivos tricíclicos, pode ser considerada em casos refratários ou quando há necessidade de controle rápido. É fundamental oferecer suporte psicológico à criança e à família, pois a enurese pode causar estresse e baixa autoestima.
A enurese noturna é considerada fisiológica em crianças até os 5 anos de idade, pois o controle esfincteriano noturno pode se desenvolver mais tardiamente.
Caracteriza-se por perda urinária noturna intermitente em crianças com mais de 5 anos, sem história de período seco prolongado, e sem sintomas diurnos ou outras disfunções do trato urinário.
A investigação é indicada se a criança tiver mais de 5 anos, apresentar sintomas diurnos (disúria, urgência, polaciúria), constipação, infecções urinárias recorrentes ou se a enurese for secundária (após período de continência).
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