SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2023
Você é a médica de família e comunidade de uma equipe de Saúde da Família da sua cidade, e recebe em seu consultório Esther, mãe de Luca, de 6 anos, que traz seu filho à consulta de retorno. Percebe que já entrou bastante preocupada e inicia a consulta dizendo que Luca continua fazendo xixi na cama. A primeira consulta para esta queixa foi há 3 meses, quando Luca havia voltado a fazer xixi na cama havia poucos dias. Desfraldou aos 4 anos, e não "apresentava esse comportamento" desde então. Durante esse período de investigação, foram solicitados exames (análise de urina, ultrassonografia de rins e vias urinárias) que não evidenciaram alterações. Neste período, percebeu que Luca e sua mãe demonstram bastante afeto e mantêm boas relações familiares. Além disso, Luca não tem apresentado dificuldades na escola ou com os colegas. Durante a entrevista, Luca se mostra colaborativo. Ele nega queixas urinárias diurnas, como disúria, urgência ou polaciúria. Queixa-se apenas de certa dificuldade para evacuar, sendo sua última evacuação há 3 dias. O exame físico não apresenta alterações, e o desenvolvimento neuropsicomotor é adequado para a idade. Sobre o caso e o tema abordado, como se pode classificar a enurese de Luca e seu tratamento adequado?
Enurese secundária + constipação = tratar constipação primeiro; é monossintomática se sem sintomas diurnos.
A enurese de Luca é classificada como monossintomática secundária, pois ele já havia desfraldado por pelo menos 6 meses e não apresenta sintomas urinários diurnos. A constipação é um fator de risco significativo e tratável para enurese, pois um reto cheio pode comprimir a bexiga e irritar os nervos, levando à incontinência.
A enurese noturna é a micção involuntária durante o sono em crianças com idade superior a 5 anos. É classificada como primária quando a criança nunca teve um período de controle da bexiga noturno por pelo menos 6 meses, e secundária quando a criança volta a molhar a cama após um período de controle. A enurese monossintomática ocorre na ausência de outros sintomas do trato urinário inferior (como urgência, polaciúria diurna, disúria), enquanto a polissintomática apresenta esses sintomas. No caso de Luca, a enurese é monossintomática secundária, pois ele desfraldou aos 4 anos e não tem queixas urinárias diurnas. A constipação intestinal é um fator de risco bem estabelecido para enurese, tanto primária quanto secundária. Um reto distendido por fezes pode exercer pressão sobre a bexiga, diminuindo sua capacidade funcional e irritando os nervos que controlam a micção, levando a episódios de enurese. O tratamento da enurese monossintomática secundária deve começar com a abordagem de fatores contribuintes, como a constipação. O manejo da constipação inclui dieta rica em fibras, hidratação adequada e, se necessário, laxantes. Uma vez resolvida a constipação, muitos casos de enurese melhoram. Outras abordagens incluem medidas comportamentais (restrição de líquidos à noite, micção antes de dormir) e, se persistente, alarmes de enurese ou desmopressina.
A enurese primária ocorre quando a criança nunca teve um período de controle da bexiga noturno por pelo menos 6 meses. Já a enurese secundária é diagnosticada quando a criança volta a molhar a cama após um período de pelo menos 6 meses de controle noturno.
A constipação pode causar enurese porque um reto distendido por fezes impactadas pode comprimir a bexiga, diminuindo sua capacidade funcional e irritando os nervos que controlam a micção, levando a episódios de incontinência urinária, especialmente à noite.
As primeiras etapas incluem a investigação e tratamento de fatores contribuintes, como a constipação intestinal. Medidas comportamentais como restrição de líquidos antes de dormir, micção dupla antes de deitar e uso de alarmes de enurese também são fundamentais. A desmopressina pode ser considerada em casos selecionados.
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