CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2024
Qual das doenças abaixo tem como fisiopatologia a desinserção da fáscia oculopalpebral retratora do tarso?
Entrópio Involucional = Desinserção da fáscia capsulopalpebral + Frouxidão horizontal + Hiperação do orbicular.
A inversão da margem palpebral no entrópio senil decorre da falha dos retratores (fáscia capsulopalpebral) em estabilizar a borda inferior do tarso contra a força do músculo orbicular.
O entrópio involucional é uma condição comum no envelhecimento, caracterizada pela inversão da margem palpebral inferior, levando ao contato dos cílios com a córnea (triquíase secundária). Isso causa dor crônica, sensação de corpo estranho, ceratite e, em casos graves, úlceras de córnea e perda visual. A compreensão da anatomia dos retratores é fundamental para o cirurgião oculoplástico. Enquanto na pálpebra superior a ptose ocorre quando o levantador se solta, na pálpebra inferior a soltura do seu análogo (fáscia capsulopalpebral) resulta em instabilidade rotacional. O diagnóstico é clínico, observado pela rotação interna da margem ao fechar os olhos com força ou ao olhar para baixo, evidenciando a falha na excursão da pálpebra inferior.
O entrópio involucional é multifatorial, envolvendo três componentes principais: 1) Frouxidão palpebral horizontal (enfraquecimento dos tendões cantais); 2) Desinserção ou atenuação dos retratores da pálpebra inferior (fáscia capsulopalpebral); e 3) Cavalgamento do músculo orbicular pré-septal sobre o orbicular pré-tarsal. A perda do suporte dos retratores permite que a base do tarso se desloque para frente, rotacionando a margem para dentro.
A fáscia capsulopalpebral é o equivalente na pálpebra inferior à aponeurose do músculo levantador da pálpebra superior. Ela se origina do músculo reto inferior e do ligamento de Lockwood, inserindo-se na borda inferior do tarso. Sua função é retrair a pálpebra inferior no olhar para baixo e fornecer estabilidade vertical à margem palpebral.
O tratamento é cirúrgico e visa corrigir os defeitos anatômicos. As técnicas comuns incluem a reinserção da fáscia capsulopalpebral ao tarso (procedimento de Jones) associada a procedimentos para corrigir a frouxidão horizontal, como o 'lateral tarsal strip'. O objetivo é restaurar a tensão vertical e horizontal para manter a margem palpebral em aposição correta com o globo ocular.
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