CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022
A técnica de fratura tarsal com rotação marginal é mais indicada para tratamento de qual tipo de entrópio palpebral, dentre as abaixo?
Entrópio cicatricial → Técnica de Wies (fratura tarsal + rotação marginal).
O entrópio cicatricial exige a eversão da margem palpebral através de uma incisão transmural (fratura tarsal), sendo a técnica de Wies a mais indicada para corrigir o posicionamento dos cílios.
O entrópio cicatricial é uma condição desafiadora na oculoplástica, pois a fibrose conjuntival contínua pode levar à recidiva. A técnica de Wies atua criando uma 'dobra' mecânica que everte os cílios, afastando-os da córnea e aliviando o dano epitelial e o risco de úlceras. Durante o procedimento, a preservação da vascularização da margem palpebral é crítica. A técnica de fratura tarsal (ou procedimento de Ballen) é uma variante que foca na incisão parcial do tarso pela via conjuntival. O sucesso depende da correção adequada da causa base da inflamação e da execução técnica precisa das suturas de rotação para garantir um posicionamento estável da margem.
A técnica de Wies, também conhecida como fratura tarsal com rotação marginal, consiste em uma incisão horizontal transmural (atravessando pele, músculo orbicular, tarso e conjuntiva) cerca de 3 a 4 mm abaixo da margem palpebral. Suturas de rotação são passadas da conjuntiva/tarso inferior para a pele acima da incisão, forçando a margem palpebral a rodar para fora (eversão). É uma técnica poderosa para corrigir o entrópio onde a lamela posterior está encurtada.
A rotação marginal é indicada especificamente para o entrópio cicatricial, onde há um encurtamento da lamela posterior (conjuntiva e tarso) que puxa a margem palpebral em direção ao globo. Causas comuns incluem tracoma, penfigoide cicatricial ocular, síndrome de Stevens-Johnson e queimaduras químicas. Também pode ser usada em casos selecionados de entrópio involucional onde a rotação da margem é o componente principal do defeito.
O entrópio involucional (senil) é causado por frouxidão horizontal da pálpebra, desinserção dos retratores da pálpebra inferior e cavalgamento do músculo orbicular pré-septal sobre o pré-tarsal. Já o entrópio cicatricial decorre de processos inflamatórios que causam fibrose e encurtamento da conjuntiva tarsal, 'puxando' a margem para dentro. O tratamento do involucional foca em tensionar e reinserir tecidos, enquanto o cicatricial foca em alongar ou rotacionar a lamela posterior.
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