INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017
Em reunião da Equipe de Saúde da Família com profissionais do Núcleo de Apoio à Saúde da Família, põe-se em discussão o caso de um homem com 50 anos de idade e histórico de hipertensão arterial, tabagismo, obesidade e má adesão ao tratamento medicamentoso e não medicamentoso. A equipe começa a discutir formas de abordagem ao paciente. Como estratégia de abordagem para a mudança de estilo de vida desse paciente, é adequado à equipe:
Abordagem da ambivalência + paradoxo terapêutico > confronto direto.
A mudança de comportamento em pacientes crônicos é mais eficaz quando o médico trabalha a ambivalência do paciente em vez de confrontar sua resistência diretamente.
A mudança de estilo de vida em pacientes com múltiplos fatores de risco (obesidade, tabagismo, HAS) é um dos maiores desafios na Atenção Primária. A Entrevista Motivacional, desenvolvida por Miller e Rollnick, propõe que a motivação é um estado dinâmico e flutuante. Ao focar na ambivalência, o médico reconhece que o paciente deseja e não deseja mudar simultaneamente. O uso de perguntas abertas, escuta reflexiva e afirmações ajuda a construir uma aliança terapêutica sólida, permitindo que o paciente encontre suas próprias razões para a mudança, o que é significativamente mais sustentável do que a obediência a ordens médicas.
O paradoxo terapêutico é uma técnica onde o profissional, em vez de insistir na mudança, valida a resistência do paciente ou sugere que ele não mude no momento. Isso reduz a reatância psicológica, fazendo com que o próprio paciente comece a argumentar a favor da mudança, assumindo o protagonismo do processo.
O confronto direto tende a evocar o 'reflexo de correção' do médico, o que frequentemente dispara mecanismos de defesa no paciente. Isso fortalece o lado da ambivalência que deseja manter o comportamento atual, resultando em maior resistência e menor probabilidade de mudança real.
Abordar a ambivalência envolve ajudar o paciente a explorar os prós e contras de seu comportamento atual versus a mudança proposta. O objetivo é fazer com que o paciente reconheça a discrepância entre seus objetivos de vida (ex: saúde, longevidade) e suas ações atuais, estimulando a motivação intrínseca.
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