Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2025
Paciente da entrada na UPA, 82 anos, relato de há 72 horas estar cursando com tosse associada à febre, Paciente bem orientado, refere não ter comorbidades e faz uso apenas de Sinvastatina 20mg e AAS 100mg prescrito pelo posto de saúde. Ao examinar, paciente apresenta FC: 108bpm, PA:95x65mmHg. FR: 23irpm, Sat:99% em ar ambiente, abdômen livre e crepitações a ausculta pulmonar. Os primeiros exames solicitados são: Hb:10,1g/dl. GL: 13000 segmentados: 9:200 Plaq: 44.000 TGO:27 TGP: 43 Bilirrubina: 1.3mg/dL. Creatinina:2,0mg/dL. Ureia:89mg/dL. Sobre o diagnóstico e tratamento, assinale a alternativa CORRETA.
Lactato sérico elevado na sepse é um marcador prognóstico de mortalidade mais importante que quickSOFA ou SOFA isolados.
O lactato sérico reflete a hipoperfusão tecidual e disfunção mitocondrial na sepse, sendo um indicador precoce e sensível de gravidade e mortalidade, mesmo antes de hipotensão franca. Sua monitorização é crucial para guiar a ressuscitação.
A sepse é uma síndrome complexa e potencialmente fatal, caracterizada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção, resultando em disfunção orgânica. É uma das principais causas de mortalidade em UTIs e pronto-socorros, sendo crucial seu reconhecimento e manejo precoces. A paciente do caso, com 82 anos, tosse, febre, taquicardia, hipotensão, taquipneia, crepitações pulmonares, leucocitose, plaquetopenia, injúria renal aguda (creatinina e ureia elevadas), apresenta um quadro compatível com sepse de foco pulmonar (pneumonia adquirida na comunidade) e disfunção orgânica. A avaliação da gravidade na sepse é multifacetada. Enquanto o quickSOFA (FR ≥ 22, alteração do nível de consciência, PAS ≤ 100 mmHg) e o SOFA score (avaliação de disfunções orgânicas em seis sistemas) são ferramentas importantes para triagem e estratificação, o lactato sérico é um marcador prognóstico independente e de grande relevância. Níveis elevados de lactato (> 2 mmol/L) indicam hipoperfusão tecidual e metabolismo anaeróbio, refletindo a gravidade do choque e a necessidade de intervenção imediata, mesmo na ausência de hipotensão franca. O tratamento da sepse e choque séptico envolve a identificação e controle do foco infeccioso, antibioticoterapia empírica de amplo espectro precoce, ressuscitação volêmica guiada por metas (incluindo normalização do lactato) e, se necessário, uso de vasopressores. A decisão de internação e o local de tratamento (enfermaria, UTI) são guiados por escores de gravidade e pela presença de disfunções orgânicas. A monitorização contínua do lactato é fundamental para avaliar a resposta ao tratamento e o prognóstico do paciente.
O lactato sérico elevado na sepse indica hipoperfusão tecidual e disfunção celular, sendo um marcador precoce e robusto de gravidade e mortalidade, orientando a ressuscitação volêmica.
Sepse é uma disfunção orgânica ameaçadora à vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção. Choque séptico é um subtipo de sepse com disfunções circulatórias e metabólicas mais profundas, caracterizadas por necessidade de vasopressores para manter PAM > 65 mmHg e lactato > 2 mmol/L, apesar de fluidos.
Critérios como CURB-65 (Confusão, Ureia > 7 mmol/L, FR > 30 irpm, PA sistólica < 90 mmHg ou diastólica < 60 mmHg, Idade > 65 anos) ou PSI (Pneumonia Severity Index) auxiliam na decisão de internação, avaliando a gravidade e o risco de mortalidade.
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