Sepse em Idosos: Reconhecimento e Manejo Imediato

HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2019

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 65 anos, dá entrada no P.A. com quadro de tosse produtiva, há 3 dias. Apresenta-se febril (T: 38º), FC: 100 bpm e FR: 25ipm. Aferida PA: 90 x 70 mmHg e sat: 90%. Em relação ao caso:

Alternativas

  1. A) paciente encontra-se com SIRS, mas não em sepse. Deverá ser orientado quanto a hidratação e antibioticoterapia via oral, medicação antipirética e retorno ao hospital se não apresentar melhora nas próximas 24h.
  2. B) o paciente está em choque séptico e deverá receber hidratação e antibioticoterapia endovenosa imediatamente.
  3. C) pela triagem passada, o paciente deverá ser incluído no protocolo de sepse, receber antibioticoterapia em até 1 hora, além da coleta de exames laboratoriais.
  4. D) devido a hipotensão, realizar expansão volêmica com cristaloide 30 ml/kg em 1 hora.

Pérola Clínica

Idoso com infecção + disfunção orgânica (hipotensão, taquipneia, hipoxemia) → Protocolo de Sepse: ATB em 1h + exames.

Resumo-Chave

O paciente apresenta sinais de infecção (tosse produtiva, febre) e disfunções orgânicas (hipotensão, taquipneia, hipoxemia), o que configura sepse. A conduta imediata, conforme os protocolos atuais, é a inclusão no protocolo de sepse, com coleta de exames e início de antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro em até 1 hora, visando reduzir a mortalidade.

Contexto Educacional

A sepse é uma emergência médica definida como disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção. É uma das principais causas de mortalidade em hospitais, especialmente em idosos, imunocomprometidos e pacientes com comorbidades. O reconhecimento precoce e a intervenção imediata são cruciais para melhorar o prognóstico e reduzir a mortalidade. A fisiopatologia da sepse envolve uma resposta inflamatória e anti-inflamatória desregulada, levando a disfunção endotelial, microtrombose e hipoperfusão tecidual. O diagnóstico é clínico, baseado na suspeita de infecção e na presença de disfunção orgânica, que pode ser avaliada por escores como o SOFA ou qSOFA. Sinais como hipotensão, taquipneia, alteração do nível de consciência e hipoxemia são indicativos de disfunção. O tratamento da sepse é uma corrida contra o tempo. O protocolo de sepse preconiza a coleta de culturas, início de antibioticoterapia empírica de amplo espectro em até 1 hora, ressuscitação volêmica com cristaloides (30 mL/kg nas primeiras 3 horas em caso de hipotensão ou lactato elevado) e controle da fonte da infecção. A monitorização hemodinâmica e o suporte de órgãos são essenciais para o manejo adequado.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o diagnóstico de sepse?

Sepse é definida como disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção. Critérios incluem infecção suspeita ou confirmada e um aumento agudo de ≥2 pontos no escore SOFA (Sequential Organ Failure Assessment) ou qSOFA.

Qual a importância da 'hora de ouro' no tratamento da sepse?

A 'hora de ouro' refere-se à necessidade de iniciar a antibioticoterapia de amplo espectro e a ressuscitação volêmica dentro da primeira hora do reconhecimento da sepse. Isso está associado a uma redução significativa da mortalidade e melhora do prognóstico.

Como diferenciar sepse de choque séptico?

Sepse é a infecção com disfunção orgânica. Choque séptico é um subconjunto da sepse onde as anormalidades circulatórias e metabólicas são profundas o suficiente para aumentar substancialmente a mortalidade, caracterizado por hipotensão persistente que requer vasopressores para manter PAM ≥ 65 mmHg, apesar de ressuscitação volêmica adequada, e lactato sérico > 2 mmol/L.

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