INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2024
Paciente de 60 anos, hipertensa, diabética e dislipidêmica vem à consulta de rotina se queixando de diarreia oleosa e fétida, além de perda ponderal há seis meses. Exames laboratoriais demonstram anemia macrocítica, discreta hipoalbuminemia e baixos níveis de vitamina D, B12 e ácido fólico. A paciente relata que a única coisa que mudou neste período foi que seu cardiologista alterou seu “remédio para pressão”. Considerando o quadro clínico apresentado, o anti-hipertensivo culpado é o (a):
Olmesartana → enteropatia tipo sprue, diarreia crônica, má absorção e perda ponderal.
A enteropatia induzida por olmesartana é uma causa rara, mas importante, de diarreia crônica e má absorção, mimetizando a doença celíaca. Deve-se suspeitar em pacientes em uso do fármaco com sintomas gastrointestinais inexplicáveis e perda ponderal.
A enteropatia por olmesartana é uma condição rara, mas clinicamente relevante, caracterizada por uma síndrome de má absorção que mimetiza a doença celíaca, conhecida como sprue-like enteropathy. Afeta principalmente pacientes idosos em uso prolongado de olmesartana, um bloqueador do receptor da angiotensina II (BRA). Sua importância reside na necessidade de reconhecimento para evitar investigações invasivas desnecessárias e garantir a resolução dos sintomas. A fisiopatologia exata não é totalmente compreendida, mas acredita-se que envolva uma resposta imunológica anormal ao medicamento, levando à inflamação e atrofia das vilosidades intestinais. O diagnóstico é desafiador, pois não há um marcador específico. A suspeita deve surgir em pacientes com diarreia crônica, perda ponderal e deficiências nutricionais inexplicadas, especialmente se estiverem em uso de olmesartana. A biópsia do intestino delgado pode revelar atrofia vilositária, mas é inespecífica. O tratamento consiste na suspensão imediata da olmesartana, com melhora clínica geralmente observada em semanas a meses. É crucial que os residentes estejam cientes dessa condição para incluí-la no diagnóstico diferencial de síndromes de má absorção, especialmente em pacientes idosos polimedicados, garantindo um manejo adequado e evitando morbidade prolongada.
Os principais sintomas incluem diarreia crônica, esteatorreia, perda ponderal, dor abdominal e deficiências nutricionais como anemia macrocítica por deficiência de B12 e folato.
O diagnóstico é de exclusão, após afastar outras causas de má absorção (como doença celíaca), e é confirmado pela melhora clínica após a suspensão da olmesartana. Biópsia intestinal pode mostrar atrofia vilositária.
A conduta inicial é suspender a olmesartana e substituir por outro anti-hipertensivo. A melhora dos sintomas geralmente ocorre em semanas a meses.
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