Enteropatia Perdedora de Proteína: Diagnóstico e Sinais Chave

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Criança, 3a, em acompanhamento ambulatorial por quadro de diarreia crônica, edema e baixo ganho pondero-estatural nos últimos sete meses. Exame físico: índice de massa corporal (IMC) percentil 3; descorado; hidratado; anictérico; fígado e baço não palpáveis; edema palpebral e de membros inferiores. hemoglobina=8,0g/dL; hematócrito=25%; VCM= 63fL; HCM=26pg; leucócitos=10.250/mm³(86% neutrófilos; 4% linfócitos; 5% monócitos e 5% eosinófilos); plaquetas=345.000/mm³; albumina=2,1g/dL; alfa1globulina=0,9g/dL; alfa2globulina=0,7g/dL; betaglobulina= 1,1g/dL; gamaglobulina=0,8g/dL; proteinúria 24 horas=0,15g. A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA É:

Alternativas

  1. A) Intolerância à lactose.
  2. B) Enteropatia perdedora de proteína.
  3. C) Infecção por Ascaris lumbricoides.
  4. D) Deficiência de alfa1 antitripsina.

Pérola Clínica

Diarreia crônica + edema + hipoalbuminemia + anemia → suspeitar enteropatia perdedora de proteína.

Resumo-Chave

A enteropatia perdedora de proteína é caracterizada pela perda excessiva de proteínas plasmáticas para o lúmen intestinal, resultando em hipoalbuminemia, edema e, frequentemente, diarreia crônica e desnutrição. A anemia e a proteinúria leve são achados associados que reforçam a suspeita diagnóstica.

Contexto Educacional

A enteropatia perdedora de proteína é uma condição rara, mas grave, caracterizada pela perda excessiva de proteínas plasmáticas para o lúmen intestinal. É crucial para residentes reconhecerem seus sinais, especialmente em crianças com diarreia crônica e desnutrição, pois o diagnóstico precoce impacta o prognóstico. Fisiopatologicamente, resulta de uma alteração na barreira intestinal que permite a transudação de proteínas. O diagnóstico é suspeitado clinicamente pela tríade de diarreia crônica, edema e hipoalbuminemia, e pode ser confirmado por exames como a dosagem de alfa-1 antitripsina fecal ou cintilografia com albumina marcada. O tratamento visa a causa subjacente, se identificada, e inclui suporte nutricional intensivo, dieta com triglicerídeos de cadeia média e, em alguns casos, medicamentos para reduzir a inflamação ou a perda proteica. O prognóstico depende da etiologia e da resposta ao tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais clínicos da enteropatia perdedora de proteína em crianças?

Os principais sinais incluem diarreia crônica, edema (palpebral e de membros inferiores), baixo ganho pondero-estatural, hipoalbuminemia e, por vezes, anemia microcítica hipocrômica.

Como a enteropatia perdedora de proteína se diferencia de outras causas de diarreia crônica infantil?

A diferenciação se dá pela presença marcante de hipoalbuminemia e edema, que são resultados diretos da perda proteica intestinal, achados menos comuns ou menos graves em outras diarreias crônicas como intolerância à lactose ou parasitoses simples.

Qual o mecanismo fisiopatológico da hipoalbuminemia na enteropatia perdedora de proteína?

A hipoalbuminemia ocorre devido à perda excessiva de proteínas plasmáticas, incluindo albumina, através de um intestino danificado ou com linfáticos dilatados, para o lúmen intestinal, onde são digeridas e não reabsorvidas.

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