Enteropatia Ambiental e Parasitoses na Infância

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012

Enunciado

Um menino de dois anos de idade é levado à Unidade Básica de Saúde (UBS) próxima ao assentamento onde sua família reside, com queixa de diarreia intermitente, com restos alimentares em alguns episódios, sem sangue ou muco, associada a dor epigástrica e hiporexia, iniciada há 15 dias. No último ano, a criança foi levada à UBS duas vezes pelo mesmo motivo. A genitora relata que, há dois meses, a criança também apresentou lesões de pele muito pruriginososas, seguidas de tosse, com resolução espontânea em 3 dias. O padrão alimentar inclui alimentos da família e leite de vaca engrossado com farináceos desde que foi suspenso o aleitamento materno aos 3 meses de vida. A situação vacinal está adequada à idade. O médico observou: peso = 11 kg (percentil 15); turgor e elasticidade da pele um pouco diminuídos, mucosas hipocoradas, distensão abdominal moderada, com dolorimento discreto e difuso e ausência de edema, de lesões de pele significativas ou de sinais de instabilidade respiratória ou hemodinâmica. Para esse paciente, foram prescritas reidratação oral e orientação higiênico-sanitária. Qual a hipótese diagnóstica que melhor explica o quadro descrito acima e qual a conduta que deve ser aplicada?

Alternativas

  1. A) Enteropatia ambiental; solicitar parasitológico de fezes e tratar com antiparasitário adequado ao agente identificado.
  2. B) Enteropatia dependente do glúten; solicitar anticorpo antigliadina e antiendomísio e excluir da dieta glúten e farináceos em geral.
  3. C) Enteropatia por alergia ao leite de vaca; solicitar dosagem de IgA secretora, excluir leite de vaca da dieta e prescrever fórmula isenta de proteínas do leite.
  4. D) Enteropatia infecciosa aguda; solicitar coprocultura, iniciar sulfametexazol-trimetoprim ou cefalosporina de primeira geração durante 7 a 10 dias.
  5. E) Enteropatia dependente da lactose; excluir fontes de lactose da dieta, prescrever probióticos, prebióticos e usar leite de soja ou fórmula láctea isenta de lactose.

Pérola Clínica

Diarreia + Sintomas respiratórios + Prurido + Atraso ponderal = Pensar em Parasitose (Ciclo de Loss).

Resumo-Chave

A enteropatia ambiental é uma disfunção intestinal crônica causada por exposição repetida a patógenos em locais sem saneamento, frequentemente associada a parasitoses que realizam o ciclo pulmonar.

Contexto Educacional

O caso descreve uma criança vivendo em um assentamento (risco epidemiológico) com quadro de diarreia intermitente e sinais de má absorção (restos alimentares, distensão abdominal). A história de lesões pruriginosas seguidas de tosse é patognomônica da migração larval de helmintos (Ciclo de Loss), sugerindo que a causa da enteropatia é infecciosa/parasitária. A enteropatia ambiental (ou disfunção entérica ambiental) é uma entidade clínica comum em países em desenvolvimento, caracterizada por alterações estruturais no intestino que impedem o desenvolvimento pondero-estatural adequado. O diagnóstico diferencial com alergias alimentares e doença celíaca é importante, mas o contexto social e os sintomas respiratórios prévios direcionam fortemente para a etiologia parasitária.

Perguntas Frequentes

O que é a Síndrome de Loeffler?

A Síndrome de Loeffler é uma pneumonia eosinofílica causada pela migração de larvas de certos helmintos (como Ascaris lumbricoides, Ancylostoma duodenale e Strongyloides stercoralis) pelos pulmões (Ciclo de Loss). Clinicamente, manifesta-se com tosse seca, sibilância e infiltrados pulmonares migratórios, frequentemente precedidos por lesões cutâneas pruriginosas e seguidos por sintomas gastrointestinais.

Como o saneamento influencia a enteropatia ambiental?

A falta de saneamento básico expõe a criança a uma carga constante de patógenos fecais. Isso gera um estado de inflamação crônica do intestino delgado, com achatamento de vilosidades e aumento da permeabilidade intestinal. O resultado é a má absorção de nutrientes, levando ao déficit de crescimento (stunting) e anemia, mesmo na ausência de uma infecção aguda grave.

Qual a conduta inicial na suspeita de enteropatia parasitária?

A conduta inicial envolve a realização do exame parasitológico de fezes (EPF), preferencialmente em três amostras, para identificar o agente causador. O tratamento é direcionado ao parasita encontrado (ex: Albendazol para Ascaris, Ivermectina para Estrongiloides). Além disso, medidas de suporte como reidratação, suplementação nutricional e orientações de higiene são essenciais.

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