UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2021
Recém-nascido de 32 semanas teve inserção de cateter umbilical na sala de parto. Evoluiu com dificuldade respiratória e necessidade de ventilação mecânica. Com três dias de vida apresentou vômitos biliosos, distensão abdominal global que foi se acentuando; a seguir eliminou secreção mucossanguinolenta pelo reto. Radiograma simples do abdome na incidência anteroposterior na posição ortostática mostra níveis hidroaéreos em todo o abdome, sinais de pneumatose intestinal.O DIAGNÓSTICO MAIS PROVÁVEL É:
RN prematuro com vômitos biliosos, distensão, sangramento retal e pneumatose intestinal → Enterocolite Necrotizante (ECN).
A enterocolite necrotizante (ECN) é uma emergência gastrointestinal grave em recém-nascidos, especialmente prematuros. A tríade clínica de distensão abdominal, vômitos biliosos e sangramento retal, associada à pneumatose intestinal no raio-X, é altamente sugestiva e requer intervenção imediata.
A enterocolite necrotizante (ECN) é uma das emergências gastrointestinais mais devastadoras em recém-nascidos, especialmente na população prematura. Sua incidência é inversamente proporcional à idade gestacional e ao peso ao nascer. A fisiopatologia é multifatorial, envolvendo imaturidade intestinal, isquemia-reperfusão, disbiose da microbiota intestinal e resposta inflamatória exacerbada. O cateterismo umbilical, embora essencial para o manejo de muitos prematuros, pode ser um fator de risco ao comprometer o fluxo sanguíneo mesentérico. O quadro clínico clássico inclui distensão abdominal, vômitos biliosos ou sanguinolentos, resíduo gástrico aumentado, letargia, instabilidade térmica, apneia e bradicardia. A eliminação de secreção mucossanguinolenta pelo reto é um sinal preocupante de comprometimento da mucosa intestinal. O diagnóstico é confirmado pelo radiograma simples de abdome, que pode revelar pneumatose intestinal (gás na parede do intestino), um sinal patognomônico. Outros achados incluem distensão de alças, níveis hidroaéreos e, em casos avançados, gás na veia porta ou pneumoperitônio, indicando perfuração intestinal. O manejo da ECN é complexo e envolve suspensão da dieta enteral, descompressão gástrica, antibioticoterapia de amplo espectro, suporte hemodinâmico e, em muitos casos, intervenção cirúrgica para ressecção de segmentos intestinais necrosados. A prevenção foca na otimização da nutrição enteral, uso de leite materno, probióticos e manejo cuidadoso de fatores de risco. O prognóstico varia, mas a ECN pode levar a complicações graves como síndrome do intestino curto, sepse e morte. A identificação precoce dos sinais e sintomas é crucial para um desfecho favorável.
Os principais fatores de risco incluem prematuridade, baixo peso ao nascer, asfixia perinatal, cardiopatias congênitas, uso de cateteres umbilicais, alimentação enteral precoce ou rápida, e infecções. A imaturidade intestinal e a disbiose da microbiota são cruciais.
O achado mais característico é a pneumatose intestinal, que são bolhas de gás na parede do intestino. Outros achados incluem distensão de alças, níveis hidroaéreos, e em casos avançados, pneumoperitônio (gás livre na cavidade abdominal) indicando perfuração.
A ECN se manifesta com sinais de sepse e inflamação intestinal, além da pneumatose. O íleo meconial é uma obstrução mecânica por mecônio espesso, comum em fibrose cística, sem pneumatose. A Doença de Hirschsprung é uma aganglionose congênita que causa obstrução funcional, geralmente sem pneumatose, a menos que complique com enterocolite associada.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo