HOA - Hospital de Olhos de Aparecida de Goiânia (GO) — Prova 2022
Recém-nascido prematuro, de 26 semanas, pesando 900g, masculino, internado em leito de terapia intensiva neonatal desde o nascimento para suporte à vida. No momento encontra fórmula hidrolisada em sonda enteral associada à nutrição parenteral em cateter central de inserção periférica. Hoje, com 15 dias de vida, apresentou letargia, alguns episódios de apneia, aumento do resíduo gástrico e distensão abdominal. Os exames séricos evidenciaram leucocitose e plaquetopenia com aumento de provas inflamatórias inespecíficas. Mantém-se hemodinamicamente com abdome distendido, doloroso difusamente, mas sem sinais de irritação peritoneal. Ausência de flogoses e parede abdominal. Foram realizadas as radiografias abaixo. A principal hipótese diagnóstica é:
Prematuro extremo com letargia, apneia, distensão abdominal, resíduo gástrico, leucocitose/plaquetopenia → ECN.
O quadro de um prematuro extremo (26 semanas, 900g) com 15 dias de vida, apresentando letargia, apneia, aumento do resíduo gástrico e distensão abdominal, associado a leucocitose e plaquetopenia, é altamente sugestivo de Enterocolite Necrotizante (ECN). Estes são sinais clássicos de um processo inflamatório intestinal grave, frequentemente observado em neonatos de muito baixo peso.
A enterocolite necrotizante (ECN) é uma das principais causas de morbimortalidade em recém-nascidos prematuros, especialmente aqueles com muito baixo peso ao nascer. É uma doença inflamatória e isquêmica do intestino que pode levar à necrose e perfuração. A imaturidade intestinal, a disbiose da microbiota e a alimentação enteral são fatores-chave na sua patogênese. O quadro clínico da ECN em prematuros é frequentemente insidioso e inespecífico, começando com sinais como letargia, apneia, bradicardia e instabilidade térmica. Sinais gastrointestinais incluem aumento do resíduo gástrico, vômitos, distensão abdominal e fezes sanguinolentas. A progressão da doença pode levar a sinais de sepse, como leucocitose ou leucopenia, plaquetopenia e aumento de marcadores inflamatórios. O diagnóstico é baseado na suspeita clínica e confirmado por achados radiográficos, como pneumatose intestinal (gás na parede do intestino), que é patognomônica. O tratamento envolve suspensão da dieta, descompressão gástrica, antibioticoterapia de amplo espectro e suporte hemodinâmico. A intervenção cirúrgica é necessária em casos de perfuração intestinal ou deterioração clínica refratária ao tratamento conservador, sendo uma das emergências cirúrgicas mais comuns em neonatologia.
Os primeiros sinais de ECN em prematuros podem ser inespecíficos, incluindo letargia, apneia, bradicardia, instabilidade térmica, aumento do resíduo gástrico, distensão abdominal leve e intolerância alimentar.
Exames laboratoriais podem mostrar leucocitose ou leucopenia, plaquetopenia, acidose metabólica, aumento de PCR e procalcitonina, e desequilíbrios eletrolíticos, indicando um processo inflamatório sistêmico e sepse.
A radiografia de abdome é crucial para o diagnóstico de ECN, podendo revelar distensão de alças intestinais, edema de parede intestinal, pneumatose intestinal (gás na parede), gás na veia porta e, em casos de perfuração, pneumoperitônio.
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