Enterocolite Necrotizante Neonatal: Diagnóstico e Manejo

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2022

Enunciado

Recém-nascido, 2 dias de vida, sexo masculino, prematuro de 30 semanas, pesando 1500 gramas, internado na UTI Neonatal, apresenta taquicardia, distensão abdominal e evacuação de fezes sanguinolentas após a introdução de dieta com leite materno exclusivo. Exame físico: abdômen distendido, com pele brilhante, hiperemia periumbilical e doloroso à palpação. O diagnóstico mais provável e o tratamento mais adequado são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) enterocolite necrotizante; jejum, sonda nasogástrica aberta e antibioticoterapia.
  2. B) alergia à proteína do leite; introdução de dieta isenta de lactose.
  3. C) alergia à proteína do leite; monitorização da pressão intra-abdominal.
  4. D) enterocolite necrotizante; cirurgia precoce: estomias e drenagem abdominal.

Pérola Clínica

Prematuro com distensão abdominal, fezes sanguinolentas, taquicardia após dieta → ECN; Tto: jejum, SNG aberta, ATB.

Resumo-Chave

A enterocolite necrotizante (ECN) é uma emergência gastrointestinal grave em neonatos, especialmente prematuros. O quadro de distensão abdominal, fezes sanguinolentas, taquicardia e sinais de irritação peritoneal (hiperemia periumbilical, dor à palpação) após introdução de dieta é clássico. O tratamento inicial é clínico, com suspensão da dieta, descompressão gástrica e antibioticoterapia de amplo espectro.

Contexto Educacional

A enterocolite necrotizante (ECN) é uma das emergências gastrointestinais mais devastadoras em neonatos, especialmente em prematuros. Caracteriza-se por necrose isquêmica do intestino, com inflamação e, em casos graves, perfuração. A incidência é inversamente proporcional à idade gestacional e ao peso ao nascer. A fisiopatologia é multifatorial, envolvendo imaturidade intestinal, disbiose da microbiota, isquemia e inflamação, frequentemente precipitada pela alimentação enteral. O diagnóstico de ECN é clínico e radiológico. Os sinais clínicos incluem distensão abdominal, dor à palpação, resíduo gástrico, vômitos biliosos, fezes sanguinolentas e sinais sistêmicos como letargia, apneia, bradicardia, instabilidade térmica e taquicardia. A radiografia de abdome pode mostrar distensão de alças, pneumatose intestinal (gás na parede intestinal) e, em casos avançados, pneumoperitônio (gás livre na cavidade abdominal), indicando perfuração. O tratamento da ECN varia conforme a gravidade. Casos leves são manejados clinicamente com jejum, descompressão gástrica por sonda nasogástrica aberta, antibioticoterapia de amplo espectro e suporte hidroeletrolítico. A monitorização é essencial para identificar progressão. Casos com perfuração intestinal ou deterioração clínica apesar do tratamento clínico requerem intervenção cirúrgica, que pode incluir laparotomia com ressecção do segmento necrótico e ostomias.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para enterocolite necrotizante em recém-nascidos?

Os principais fatores de risco para ECN incluem prematuridade (quanto menor a idade gestacional, maior o risco), baixo peso ao nascer, alimentação enteral precoce ou rápida progressão da dieta, asfixia perinatal e cardiopatias congênitas.

Quais são os sinais clínicos de enterocolite necrotizante em um prematuro?

Os sinais clínicos de ECN em prematuros incluem distensão abdominal, resíduo gástrico aumentado, vômitos biliosos, fezes sanguinolentas, letargia, apneia, bradicardia, instabilidade térmica, taquicardia e sinais de sepse.

Qual é a conduta inicial no tratamento da enterocolite necrotizante?

A conduta inicial para ECN é suspensão imediata da dieta (jejum), colocação de sonda nasogástrica aberta para descompressão, início de antibioticoterapia de amplo espectro, suporte hidroeletrolítico e monitorização rigorosa para sinais de progressão ou perfuração intestinal.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo