Santa Casa de São Carlos (SP) — Prova 2021
Recém-nascido prematuro, do sexo masculino, sem outras comorbidades, inicia quadro de distensão abdominal e vômitos no quinto dia de vida. Apresentou queda do estado geral, necessitando de expansão volêmica e intubação oro traqueal. A radiografia simples de abdome demonstrou pneumatose intestinal (imagens radiolucentes lineares e bolhosas) em todos os segmentos do intestino grosso. Também se observou ar no sistema porta. A principal hipótese diagnóstica é:
Prematuro + distensão abdominal + vômitos + pneumatose intestinal/ar portal na RX = Enterocolite Necrotizante (ECN).
A Enterocolite Necrotizante (ECN) é uma emergência neonatal grave, especialmente em prematuros. A presença de pneumatose intestinal e ar no sistema porta na radiografia abdominal são sinais patognomônicos de ECN avançada, indicando necrose intestinal e translocação gasosa, exigindo intervenção imediata.
A Enterocolite Necrotizante (ECN) é uma das emergências gastrointestinais mais devastadoras em recém-nascidos, especialmente em prematuros, com alta morbimortalidade. Caracteriza-se por necrose isquêmica do intestino, podendo levar à perfuração, sepse e falência de múltiplos órgãos. A compreensão de sua fisiopatologia e apresentação clínica é fundamental para residentes de pediatria e neonatologia. A fisiopatologia da ECN envolve uma interação complexa entre imaturidade intestinal, disbiose microbiana e isquemia. Prematuros têm barreira intestinal imatura, resposta imune deficiente e motilidade gastrointestinal alterada, tornando-os vulneráveis. O diagnóstico é clínico e radiológico. Sinais como distensão abdominal, vômitos, resíduo gástrico bilioso, instabilidade hemodinâmica e, crucialmente, achados radiográficos como pneumatose intestinal (gás na parede do intestino) e ar no sistema porta são indicativos. O tratamento da ECN varia de suporte clínico (suspensão da dieta enteral, antibióticos de amplo espectro, suporte hemodinâmico) a intervenção cirúrgica em casos de perfuração intestinal ou necrose extensa. O prognóstico é reservado, com risco de complicações a longo prazo como síndrome do intestino curto e estenoses intestinais. A prevenção, através de estratégias como o uso de leite materno e alimentação enteral gradual, é crucial para reduzir a incidência e gravidade da doença.
Os principais sinais clínicos da ECN incluem distensão abdominal, vômitos biliosos ou sanguinolentos, letargia, instabilidade térmica, apneia e bradicardia, podendo progredir rapidamente para choque séptico.
A pneumatose intestinal (gás na parede do intestino) e o ar no sistema porta são achados radiográficos patognomônicos de ECN, indicando necrose intestinal e um estágio avançado da doença, respectivamente, e requerem intervenção urgente.
A prematuridade é o fator de risco mais significativo para ECN. Outros fatores incluem baixo peso ao nascer, alimentação enteral precoce ou rápida, asfixia perinatal, cardiopatias congênitas e infecções, que contribuem para a imaturidade intestinal e disbiose.
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