Enterocolite Necrotizante: Achados Radiológicos e Diagnóstico

Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2022

Enunciado

Recém-nascido prematuro, 29 semanas, masculino, internado em leito de terapia intensiva neonatal, sedado, em ventilação mecânica, alimentando por fórmula hidrolisada por via enteral, no 9º dia de vida apresenta distensão abdominal, vômitos, enterorragia, bradicardia e apneia. Abdome distendido, tenso, doloroso a palpação difusa, mas sem sinais de irritação peritoneal. São iniciadas medidas para sepse neonatal e realizado radiografias de abdome abaixo. Os achados radiológicos destacados pelas setas brancas representam:

Alternativas

  1. A) Fístula traqueoesofágica distal.
  2. B) Piloro aumentado de comprimento e espessura.
  3. C) Pneumatose intestinal.
  4. D) Zona de transição.

Pérola Clínica

Pneumatose intestinal = Gás na parede da alça = Patognomônico de Enterocolite Necrotizante.

Resumo-Chave

A pneumatose intestinal indica lesão da mucosa e invasão de gás produzido por bactérias na parede intestinal, sendo o sinal radiológico definidor para o diagnóstico de Enterocolite Necrotizante (Estágio II de Bell).

Contexto Educacional

A Enterocolite Necrotizante (ECN) é a emergência gastrointestinal mais comum em UTIs neonatais, afetando principalmente prematuros de muito baixo peso. A fisiopatologia envolve uma tríade de isquemia intestinal, colonização bacteriana e substrato intraluminal (fórmula). O diagnóstico é clínico-radiológico, baseado nos Critérios de Bell. A identificação da pneumatose intestinal é crucial, pois eleva a classificação para o Estágio II (doença definida), exigindo manejo agressivo para evitar a progressão para necrose transmural e perfuração (Estágio III).

Perguntas Frequentes

O que é a pneumatose intestinal na radiografia?

A pneumatose intestinal é a presença de gás dentro da parede das alças intestinais. Radiologicamente, manifesta-se como imagens lineares ou bolhosas radiotransparentes que acompanham o contorno da alça. É o achado radiológico clássico e patognomônico da enterocolite necrotizante (ECN), indicando que houve quebra da barreira mucosa e infiltração de gás produzido por microrganismos.

Quais são os principais fatores de risco para ECN?

A prematuridade é o principal fator de risco, devido à imaturidade imunológica, vascular e enzimática do trato gastrointestinal. Outros fatores incluem o início rápido da alimentação enteral, uso de fórmulas em vez de leite materno, episódios de hipóxia/isquemia perinatal e colonização bacteriana anormal (disbiose).

Qual a conduta imediata diante da suspeita de ECN?

A conduta inicial inclui jejum absoluto, descompressão gástrica com sonda orogástrica aberta, início de antibioticoterapia de amplo espectro, estabilização hemodinâmica e monitorização radiológica seriada (a cada 6-12 horas) para detectar precocemente sinais de perfuração (pneumoperitônio), que indicariam necessidade de intervenção cirúrgica.

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