UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
RN com 14 dias de vida, prematuro com idade gestacional de 28 semanas e 3 dias ao nascimento, pesando 1200 g. Estava em CPAP, recebendo dieta via sonda gástrica, evoluiu com distensão abdominal e episódios de apneia. A sonda orogástrica foi aberta e houve saída de conteúdo bilioso. RN apresentou 2 episódios de evacuação com sangue. EF: estável hemodinamicamente, com distensão abdominal, com dor difusa à palpação e RHA diminuídos. Exames laboratoriais: plaquetas 85000/mm³; GB 14000/mm³; PCR elevado. Rx de abdome: distensão de alças e pneumatose intestinal. Pode-se afirmar que:
Pneumatose intestinal = Patognomônico de ECN. Conduta inicial: Jejum + ATB + SNG.
A enterocolite necrotizante em estágio inicial (Bell II) requer manejo clínico rigoroso; a cirurgia é reservada para perfuração ou falha terapêutica persistente.
A enterocolite necrotizante (ECN) é a emergência gastrointestinal mais grave no período neonatal, afetando principalmente prematuros de muito baixo peso. Sua fisiopatologia envolve isquemia intestinal, colonização bacteriana anômala e resposta inflamatória exacerbada. O diagnóstico precoce, baseado em sinais clínicos (distensão, resíduo gástrico bilioso, sangue nas fezes) e radiológicos (pneumatose), é vital para o sucesso do tratamento conservador e redução da morbimortalidade associada à síndrome do intestino curto pós-cirúrgica.
A pneumatose intestinal é a presença de gás dentro da parede das alças intestinais, resultante da produção de gás por bactérias que invadem a mucosa isquêmica. É considerada o achado radiológico patognomônico da enterocolite necrotizante (ECN) e classifica a doença no estágio II de Bell (doença moderada).
A única indicação cirúrgica absoluta e consensual na enterocolite necrotizante é a evidência de perfuração intestinal, manifestada radiologicamente como pneumoperitônio. Indicações relativas incluem a presença de alça fixa ao Rx, deterioração clínica progressiva apesar do tratamento clínico otimizado, ou massa abdominal palpável.
O manejo inicial (estágios I e II de Bell) baseia-se no tripé: 1) Repouso gástrico absoluto (jejum) com descompressão por sonda orogástrica; 2) Antibioticoterapia de amplo espectro; 3) Suporte hemodinâmico e monitorização rigorosa com exames laboratoriais e radiografias seriadas (a cada 6-12 horas).
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